Não é verdade que me esqueci deste blog. Como muitos dos que aqui freqüentam devem saber, a profissão professor ocupa tempos até mesmo de descanso para preparação e planejamento. Quando sento em frente ao computador, procuro as novidades mais recentes, estabeleço alguma relação com as pessoas através dos meios digitais e volto para meus papéis. Isso quando não preciso me alimentar, o que também requer certo tempo... Ainda bem!
Mas... não é do tempo que falo. Quero tratar do respeito.
O que é respeitar? É temer? É comportar-se de maneira subordinada para não receber punições? O que entendo por respeito é a simples compreensão de tratar o outro de maneira humana para, assim, ser reciprocamente bem tratado. Poucas vezes se observa uma situação de respeito que não seja mútua entre dois indivíduos. Os limites podem construir o respeito, as regras também. Do que penso, o respeito existe quando nos colocamos no lugar do outro, vendo o que não desejaríamos sofrer, determinadas ações desencadeadas por escolhas e atitudes de nossa parte.
Vejo isso nos alunos. Grande parte deles, a despeito suas situações críticas, a ausência de modelos considerados íntegros e uma realidade que não favorece o respeito construído e sim o temor imposto pela lei do "quem pode mais, manda", respeita aquilo que o professor diz, ouve suas idéias e explicações e, principalmente, convive de maneira amistosa com qualquer um que esteja no ambiente escolar. As exceções, infelizmente, existem. E constrastam tanto que fica difícil pensar que para esses algo um dia mude.
Tentar agredir o outro não foi um ato impensado. O que um aluno tentou fazer naquela aula de sexta-feira, a última do período, é a conseqüência de um modo equivocado de encarar a vida, de achar que tudo se pode, tudo é permitido, que para ele nada se aplica, ele está acima de qualquer regra de convivência por mais básica que ela seja. Confesso ter sentido o sangue esquentar ao ver que aquele pequeno, que se acha grande demais, em nada mudou desde o começo do ano, com todas as conversas, as chamadas e pedidos de atenção... A mesma maneira violenta que ele entende ser a resolução dos seus problemas é a arma que ele tem para fugir de uma explicação que satisfaz um professor intranqüilo, ao não perceber que pode educar, e o seu próprio íntimo, inseguro atrás de uma máscara de agressões verbais e físicas, sem qualquer relação com a realidade. Gritei, sim. Segurei pelo braço, sim. Perder a cabeça é normal? Ainda vou contruir uma idéia sobre isso... O tempo corre.
Cinco dias de suspensão não são suficientes para fazer uma maneira de ser tornar-se diferente. Não sei como será daqui pra frente, afinal ainda estamos no segundo bimestre. Talvez a escola não ofereça o que a família não dá, uma vez que não é obrigação do Estado oferecer alunos comportados. Isso é cidadania pura. Pena que muitos têm esse direito negado, voluntariamente ou por tabela. Abraços a todos.
domingo, 25 de maio de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
O silêncio dos inexperientes!
Após quase um mês de ausência, eis que o dia de hoje acendeu uma chama e resolvi me sentar aqui mais uma vez para falar dos caminhos os quais venho abrindo desde fevereiro...
É justamente nisso que quero tocar, do "Professor Guilherme" ser tão recente na minha vida. A gente termina uma faculdade querendo sair e botar tudo aquilo de bonito e perfeito que aprendemos em prática, intentando fazer a diferença na vida de centenas de pequenos por ano, trazendo experiências variadas, novos conceitos, um mundo de vivências pensado exclusivamente para que eles usufruam. Porém, eu já tratei desta outra realidade, sabemos que uma sala de aula não é fácil. Eu, pelo menos, agora já sei, mas isso não me desanima nem por um momento!! A vontade de ver as coisas dando certo é meu dínamo todos os dias quando acordo e tomo os dois ônibus rumo à escola.
Da faculdade, eu aprendi que não podemos generalizar os alunos, afinal cada um tem uma história e uma forma de entender o mundo. Aprendi também que repetir simplesmente aquilo que já vimos ou conhecemos não acrescenta nada se não for uma reprodução reflexiva ou repensada na situação do momento. Aprendi, por fim, que, por meio de brincadeiras e jogos, muotos desses conhecidos das crianças, outros fruto da criatividade do professor, podemos atingir N objetivos, mesmo os mais impensáveis, fazendo bom uso do espaço disponível, dos materiais existentes e de uma explicação clara e precisa.
Pois bem. Aproveito algo disso e acrescento outro fator fundamental: o acerto. Não o simples acerto de atingir um objetivo ou alvo. Um acerto gradual, de entender como aquele público lida com diferentes maneiras de se aplicar o mesmo programa. Comigo isto tem sido flagrante. Acompanhando a seqüência de aulas das quartas séries, até me sinto culpado por "usá-los" deste modo.
Três quartas séries.
- A primeira formada por alunos mais velhos, a maioria já completou dez anos ou mais, pré-adolescentes que, por um motivo ou outro, não estão ainda no Fundamental II e simplesmente já se encheram das turminhas e da professora única em sala, querem a agitação das trocas de aula a cada 50 minutos.
- A segunda tem faixa etária adequada, mas condensa um grupo agitado e disperso, participativos, porém desatentos a aquilo que não for o que os interessa naquele instante, como as bolinhas de gude (burquinhas) e o intervalo dos alunos maiores.
- A terceira ainda é uma classe de quarta série, apesar da agitação ocasional da chegada de uma nova fase. Ouvem, escutam e estão mais dispostos a colaborar.
Não sei qual a minha participação nessas três impressões, mas é fato que as aulas com a terceira classe têm sido mais proveitosas em todos os sentidos do que as duas anteriores. Como tudo é novo ainda, o planejamento das três salas é igual, inclusive as atividades aplicadas. Porém, quando chego à ultima aula do dia, já modifiquei vários pontos que, de certo, contribuiram demais para que a participação e motivação durante a aula. Isso, quase sempre e coincidentemente, acontece sempre na terceira sala.
Devo me sentir culpado? Talvez, mas a empatia com esta turma realmente foi à primeira vista, sem dúvidas, enquanto na primeira sala, topei com alguns que se recusaram desde o primeiro momento a colaborar mesmo quando o conteúdo os agrada, embora uma maioria goste e queira aprender sempre mais. Na segunda, tive momentos ótimos que semanalmente confrontam-se com a vontade de conversar e se expressar, eles estão ficando mais "treinados" em falar e ouvir na hora certa...
Só espero não estar prejudicando um em função de experiências que visam aperfeiçoar um formato de Educação Física repleto de boas intenções, mas que ainda busca seu acerto... Um abraço aos leitores e espero mais comentários!!!
É justamente nisso que quero tocar, do "Professor Guilherme" ser tão recente na minha vida. A gente termina uma faculdade querendo sair e botar tudo aquilo de bonito e perfeito que aprendemos em prática, intentando fazer a diferença na vida de centenas de pequenos por ano, trazendo experiências variadas, novos conceitos, um mundo de vivências pensado exclusivamente para que eles usufruam. Porém, eu já tratei desta outra realidade, sabemos que uma sala de aula não é fácil. Eu, pelo menos, agora já sei, mas isso não me desanima nem por um momento!! A vontade de ver as coisas dando certo é meu dínamo todos os dias quando acordo e tomo os dois ônibus rumo à escola.
Da faculdade, eu aprendi que não podemos generalizar os alunos, afinal cada um tem uma história e uma forma de entender o mundo. Aprendi também que repetir simplesmente aquilo que já vimos ou conhecemos não acrescenta nada se não for uma reprodução reflexiva ou repensada na situação do momento. Aprendi, por fim, que, por meio de brincadeiras e jogos, muotos desses conhecidos das crianças, outros fruto da criatividade do professor, podemos atingir N objetivos, mesmo os mais impensáveis, fazendo bom uso do espaço disponível, dos materiais existentes e de uma explicação clara e precisa.
Pois bem. Aproveito algo disso e acrescento outro fator fundamental: o acerto. Não o simples acerto de atingir um objetivo ou alvo. Um acerto gradual, de entender como aquele público lida com diferentes maneiras de se aplicar o mesmo programa. Comigo isto tem sido flagrante. Acompanhando a seqüência de aulas das quartas séries, até me sinto culpado por "usá-los" deste modo.
Três quartas séries.
- A primeira formada por alunos mais velhos, a maioria já completou dez anos ou mais, pré-adolescentes que, por um motivo ou outro, não estão ainda no Fundamental II e simplesmente já se encheram das turminhas e da professora única em sala, querem a agitação das trocas de aula a cada 50 minutos.
- A segunda tem faixa etária adequada, mas condensa um grupo agitado e disperso, participativos, porém desatentos a aquilo que não for o que os interessa naquele instante, como as bolinhas de gude (burquinhas) e o intervalo dos alunos maiores.
- A terceira ainda é uma classe de quarta série, apesar da agitação ocasional da chegada de uma nova fase. Ouvem, escutam e estão mais dispostos a colaborar.
Não sei qual a minha participação nessas três impressões, mas é fato que as aulas com a terceira classe têm sido mais proveitosas em todos os sentidos do que as duas anteriores. Como tudo é novo ainda, o planejamento das três salas é igual, inclusive as atividades aplicadas. Porém, quando chego à ultima aula do dia, já modifiquei vários pontos que, de certo, contribuiram demais para que a participação e motivação durante a aula. Isso, quase sempre e coincidentemente, acontece sempre na terceira sala.
Devo me sentir culpado? Talvez, mas a empatia com esta turma realmente foi à primeira vista, sem dúvidas, enquanto na primeira sala, topei com alguns que se recusaram desde o primeiro momento a colaborar mesmo quando o conteúdo os agrada, embora uma maioria goste e queira aprender sempre mais. Na segunda, tive momentos ótimos que semanalmente confrontam-se com a vontade de conversar e se expressar, eles estão ficando mais "treinados" em falar e ouvir na hora certa...
Só espero não estar prejudicando um em função de experiências que visam aperfeiçoar um formato de Educação Física repleto de boas intenções, mas que ainda busca seu acerto... Um abraço aos leitores e espero mais comentários!!!
quinta-feira, 27 de março de 2008
Fora as descrições...
Acho que já posso dispensar um pouco as criteriosas descrições das minhas atividades para, enfim, poder escrever um pouco mais sobre as impressões que ando tendo sobre o ensino da Educação Física, tal qual ele se apresenta pra mim, nas escolas onde estou, partindo daquilo que eu penso e vejo.
Tenho tentado mostrar e fazer com que os alunos entendam que a disciplina não é um mero momento de algazarra entre os conteúdos "sérios" da escola. Já consegui transformar em muitos a idéia de apenar sair da sala, receber bolas e fazer o que mais gostar (na maioria dos casos, o glorioso futebol, que eu mesmo adoro... mea culpa), pois a Educação Física, assim como todas as outras disciplinas precisa sempre possibilitar aos educandos novas experiências, que desafiem o que ele já possui e forneçam subsídios que os tornem capazes de ir além do que eram antes de vencer o problema. Este tem sido meu principal objetivo, exigir sempre um pouco mais do que sei que eles já têm, mas que podem alcançar através do entendimento, da vivência e da reflexão.
As dificuldades existem. E são grandes. Uma escola grande, que precisa de uma organização, mesmo que isso signifique abdicar de tempo adequado para utilizar o espaço externo. Tenho aceitado o desafio de trabalhar os mesmos conteúdos fora e dentro da sala, quando necessário, e tem sido motivador para mim, e percebo que os alunos também se envolvem, mesmo desanimados com a privação espacial a que são submetidos durante as 4h de aula.A capacidade de saber ouvir e falar na hora certa é algo que, aos poucos, vejo que muitos já estão adquirindo, percebendo a importância do diálogo e dos questionamentos que surgem através dos colegas, daí a necessidade estar em silêncio momentaneamente para poder compreender aquilo que é sugerido/questionado/apontado. Na sala, isso tem sido marcante e tem me deixado muito feliz. Sou muito conservador mesmo e entendo que o silêncio é fundamental no ambiente de aprendizado, pois leva à concentração e à reflexão, porém não vejo isso ser prejudicial, afinal, por mais que sôe de acordo com o que se propaga todo o tempo, ao almejar degraus mais altos, dificilmente eles poderão sempre fazer o que quiser, sendo necessário reconhecer o momento de parar e respirar um pouco!
O primeiro contato com as turmas de treinamento, um público mais velho, mostrou um potencial de trabalho muito grande!! Já encontrei reproduções de uma lógica natural a quem está em contato com o esporte competitivo midiático: "Professor, quem ganha, fica!". Tratei da importância do momento do jogo coletivo formal como sendo fundamental na aplicação do que aprendermos durante os exercícios e de momento de compartilhamento de diferentes modos de jogar, já que mesmo que o objetivo ainda seja superar o adversário, este é o colega de equipe e ainda é a sessão de treino, ressaltando que o momento de buscar a vitória pelo título será outro. Aliás, muito breve, pois na quarta que vem já estarei levando os meninos da categoria Infantil para as disputas da fase municipal da Olimpíada Colegial...
Alguns pontos que achei importante abordar. Mais que comentários, peço humildemente que me questionem, me critiquem e me façam pensar também, o objetivo destes relatos é oferecer um espaço de debate da Educação Física Escolar. Abraços a todos!
Tenho tentado mostrar e fazer com que os alunos entendam que a disciplina não é um mero momento de algazarra entre os conteúdos "sérios" da escola. Já consegui transformar em muitos a idéia de apenar sair da sala, receber bolas e fazer o que mais gostar (na maioria dos casos, o glorioso futebol, que eu mesmo adoro... mea culpa), pois a Educação Física, assim como todas as outras disciplinas precisa sempre possibilitar aos educandos novas experiências, que desafiem o que ele já possui e forneçam subsídios que os tornem capazes de ir além do que eram antes de vencer o problema. Este tem sido meu principal objetivo, exigir sempre um pouco mais do que sei que eles já têm, mas que podem alcançar através do entendimento, da vivência e da reflexão.
As dificuldades existem. E são grandes. Uma escola grande, que precisa de uma organização, mesmo que isso signifique abdicar de tempo adequado para utilizar o espaço externo. Tenho aceitado o desafio de trabalhar os mesmos conteúdos fora e dentro da sala, quando necessário, e tem sido motivador para mim, e percebo que os alunos também se envolvem, mesmo desanimados com a privação espacial a que são submetidos durante as 4h de aula.A capacidade de saber ouvir e falar na hora certa é algo que, aos poucos, vejo que muitos já estão adquirindo, percebendo a importância do diálogo e dos questionamentos que surgem através dos colegas, daí a necessidade estar em silêncio momentaneamente para poder compreender aquilo que é sugerido/questionado/apontado. Na sala, isso tem sido marcante e tem me deixado muito feliz. Sou muito conservador mesmo e entendo que o silêncio é fundamental no ambiente de aprendizado, pois leva à concentração e à reflexão, porém não vejo isso ser prejudicial, afinal, por mais que sôe de acordo com o que se propaga todo o tempo, ao almejar degraus mais altos, dificilmente eles poderão sempre fazer o que quiser, sendo necessário reconhecer o momento de parar e respirar um pouco!
O primeiro contato com as turmas de treinamento, um público mais velho, mostrou um potencial de trabalho muito grande!! Já encontrei reproduções de uma lógica natural a quem está em contato com o esporte competitivo midiático: "Professor, quem ganha, fica!". Tratei da importância do momento do jogo coletivo formal como sendo fundamental na aplicação do que aprendermos durante os exercícios e de momento de compartilhamento de diferentes modos de jogar, já que mesmo que o objetivo ainda seja superar o adversário, este é o colega de equipe e ainda é a sessão de treino, ressaltando que o momento de buscar a vitória pelo título será outro. Aliás, muito breve, pois na quarta que vem já estarei levando os meninos da categoria Infantil para as disputas da fase municipal da Olimpíada Colegial...
Alguns pontos que achei importante abordar. Mais que comentários, peço humildemente que me questionem, me critiquem e me façam pensar também, o objetivo destes relatos é oferecer um espaço de debate da Educação Física Escolar. Abraços a todos!
sábado, 15 de março de 2008
Fazendo direito... e com a canhota!
Da mesma forma como essa semana passou rapidamente, ela também foi muito gostosa durante as aulas porque estou conseguindo que os alunos estejam a grande parte do tempo "ligados" no que estamos fazendo.
Da série "Conhecendo o movimento", falei um pouco sobre lateralidade para eles, tanto as segundas como as quartas séries. As aulas de segunda-feira foram mais um momento de avaliação do quanto eles estavam dispostos a se organizar, com uma "Festa na Fazenda" (quatro cantos, quatro tipos de bixo e diferentes modos de locomoção, buscando fugir do caçador ao centro). Na quarta, iniciei do ponto que eles estavam. O "diagnóstico" era pedir para que todos levantassem a mão direita, quando observei que a maioria não tinha adquirido noções de lateralidade ainda. Então trabalhei com atividades que os estimulasse para apreender algo sobre.
Começando com os alongamentos habituais (tem funcionado sempre, principalmente fazendo de uma maneira mais divertida, com sons e posições que eles não estão acostumados), contei sobre o que faríamos, começando com uma divisão de grupos geita por mim. Após os protestos naturais, expliquei que os grupos mudariam conforme eu pedisse esta ou aquela característica comum entre os componentes. O funcionamento: de frente para os alunos, dizer "Quero que todos os alunos usando calça fiquem do meu lado DIREITO!!" Rapidamente, eles tinham de formar uma fila lado a lado, os que se encaixavam no grupo, à direita, o restante, à ESQUERDA. E seguiu assim, com muitas divisões e se mostrou bastante motivador, inclusive com os maiores, que lamentaram quando pedi que se reunissem novamente para eu passar ao próximo jogo.
A seqüência trabalhou aspectos de lateralidade também, associados a algo de atenção e percepção dos sentidos. De frente para as turmas, eu explicava que usaria meu apito para controlar os movimentos. Com um apito, deveriam se deslocar um passo para a direita. Com dois apitos, um passo à esquerda (o apito, no caso, pode ser substituído por palmas ou outro estímulo sonoro). Como eu estava de frente para eles, várias vezes eu apitava para que fossem para a direita e ia para a minha direita, que era a esquerda deles, perguntando se aquele era o lado correto de acordo com o número de apitos que eu havia usado. As inversões de seqüência também funcionaram muito bem para motivá-los.
Ao final, os reuni novamente em círculo e conversei se haviam gostado da atividade, explicando que ainda trabalharíamos mais a lateralidade. Como última atividade, pedi novamente que eles levantassem o braço direito e percebi que o número de acertos foi muito maior, comprovando que o objetivo, embora não alcançado totalmente, já estava fazendo sentido.
Somente a 2ªH foi tão difícil que precisei trabalhar em sala. Propus uma cruzadinha na lousa e alertei que enquanto não concluirmos todas as palavras (o que requer mais atenção, participação e concentração de todos), não voltaremos à quadra/pátio. Não houve resultado e espero que eles sintam que, da maneira que anda acontecendo, não teremos como continuar saindo da sala.
O detalhe positivo fica para a aula com a 4ªJ, pois mesmo com a aula segmentada (20 min, intervalo de 15 min, mais 30 min de aula em sala), consegui trabalhar uma das atividades na quadra antes do recreio e incluir um trabalho na lousa de orientação espacial, desenhando um mapa da classe na lousa e pedindo que eles me ajudassem a localizar colegas e objetos, dizendo se a fileira estava á esquerda/direita e em qual carteira. Muito produtivo!
Na sexta, minha primeira reunião na Diretoria de Ensino, em razão das turmas de ACD. As Olimpíadas Colegiais começam já em abril para a categoria Infantil (até 16 anos). Trabalharei com Tênis de Mesa e Futsal Masculinos e o tempo urge!!!
Obrigado a todos pelas visitas e espero que continuem passando por aqui para dar os seus pitacos. Abraços especiais!
Da série "Conhecendo o movimento", falei um pouco sobre lateralidade para eles, tanto as segundas como as quartas séries. As aulas de segunda-feira foram mais um momento de avaliação do quanto eles estavam dispostos a se organizar, com uma "Festa na Fazenda" (quatro cantos, quatro tipos de bixo e diferentes modos de locomoção, buscando fugir do caçador ao centro). Na quarta, iniciei do ponto que eles estavam. O "diagnóstico" era pedir para que todos levantassem a mão direita, quando observei que a maioria não tinha adquirido noções de lateralidade ainda. Então trabalhei com atividades que os estimulasse para apreender algo sobre.
Começando com os alongamentos habituais (tem funcionado sempre, principalmente fazendo de uma maneira mais divertida, com sons e posições que eles não estão acostumados), contei sobre o que faríamos, começando com uma divisão de grupos geita por mim. Após os protestos naturais, expliquei que os grupos mudariam conforme eu pedisse esta ou aquela característica comum entre os componentes. O funcionamento: de frente para os alunos, dizer "Quero que todos os alunos usando calça fiquem do meu lado DIREITO!!" Rapidamente, eles tinham de formar uma fila lado a lado, os que se encaixavam no grupo, à direita, o restante, à ESQUERDA. E seguiu assim, com muitas divisões e se mostrou bastante motivador, inclusive com os maiores, que lamentaram quando pedi que se reunissem novamente para eu passar ao próximo jogo.
A seqüência trabalhou aspectos de lateralidade também, associados a algo de atenção e percepção dos sentidos. De frente para as turmas, eu explicava que usaria meu apito para controlar os movimentos. Com um apito, deveriam se deslocar um passo para a direita. Com dois apitos, um passo à esquerda (o apito, no caso, pode ser substituído por palmas ou outro estímulo sonoro). Como eu estava de frente para eles, várias vezes eu apitava para que fossem para a direita e ia para a minha direita, que era a esquerda deles, perguntando se aquele era o lado correto de acordo com o número de apitos que eu havia usado. As inversões de seqüência também funcionaram muito bem para motivá-los.
Ao final, os reuni novamente em círculo e conversei se haviam gostado da atividade, explicando que ainda trabalharíamos mais a lateralidade. Como última atividade, pedi novamente que eles levantassem o braço direito e percebi que o número de acertos foi muito maior, comprovando que o objetivo, embora não alcançado totalmente, já estava fazendo sentido.
Somente a 2ªH foi tão difícil que precisei trabalhar em sala. Propus uma cruzadinha na lousa e alertei que enquanto não concluirmos todas as palavras (o que requer mais atenção, participação e concentração de todos), não voltaremos à quadra/pátio. Não houve resultado e espero que eles sintam que, da maneira que anda acontecendo, não teremos como continuar saindo da sala.
O detalhe positivo fica para a aula com a 4ªJ, pois mesmo com a aula segmentada (20 min, intervalo de 15 min, mais 30 min de aula em sala), consegui trabalhar uma das atividades na quadra antes do recreio e incluir um trabalho na lousa de orientação espacial, desenhando um mapa da classe na lousa e pedindo que eles me ajudassem a localizar colegas e objetos, dizendo se a fileira estava á esquerda/direita e em qual carteira. Muito produtivo!
Na sexta, minha primeira reunião na Diretoria de Ensino, em razão das turmas de ACD. As Olimpíadas Colegiais começam já em abril para a categoria Infantil (até 16 anos). Trabalharei com Tênis de Mesa e Futsal Masculinos e o tempo urge!!!
Obrigado a todos pelas visitas e espero que continuem passando por aqui para dar os seus pitacos. Abraços especiais!
segunda-feira, 10 de março de 2008
Reconhecimento de campo
Saudações. Uma semana atribulada, sem ser tão cansativa.
Com as aulas na Unicamp retornando, o meu tempo vai se tornar um pouco mais escasso, embora duas disciplinas não sejam uma carga assim tão expressiva, penso eu. Nas escolas, eu busquei continuar oferecendo experiências de conhecimento do movimento em todas as turmas, tanto para saber o que eles já conhecem/fazem/gostam como para ir introduzindo a idéia de uma Educação Física como área de estudo diferenciada. Os resultados gerais têm sido ótimos. No geral...
O mês de março foi o pontapé inicial para entrar de cabeça no planejamento das aulas e das turmas de treinamento (essas ainda inativas, pretendo resolver tudo até quarta-feira para começar na próxima semana). A segunda-feira com as segundas séries do Celeste foi bem tranqüila, todos pareceram gostar das aulas, com os mesmos insistindo em não querer participar ou estarem sem vontade. Apliquei as mesmas atividades de sexta-feira e funcionou muito bem, inclusive o "Siga o mestre", de muita criatividade.
Na quarta, mais dificuldade. Organizei uma atividade para verificar como andava a lateralidade das turmas: um circuito de "trânsito" desenhado com giz. As crianças se agruparam em trios enfileirados e eram os "carros", sendo que o aluno do meio dirigiu o primeiro com toques nas costas. Apesar da desorganização inicial, a turma se entendeu e o exercício final, o qual apelidei de "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço" fez bastante sucesso. Nota para a dificuldade que eles ainda apresentam em se organizar para ouvir e conversar sobre a aula, levamos 10 minutos para conseguir sentar em círculo. Na 2ªH foi quase impossível aplicar as atividades, eles se mostravam muito agitados, o que me levou inclusive a prometer deixá-los em sala na próxima aula.
As turmas de 4ª séries se mostraram mais receptivas aos exercícios do que eu imaginei, já que adaptei os mesmos exercícios das turmas menores, agora pensando mais na questão do corpo em movimento e suas variações. A turma mais problemática (não sei se posso chamá-la assim, pois são aquelas 3 ou 4 lideranças negativas que atrapalham o andamento da aula) foi uma das mais interessadas durante toda a aula, talvez pela ausência de alguns dos alunos mais velhos. Me esqueci do intervalo das quintas séries na segunda aula (sim, a escola tem mais de um intervalo por período, são 16 salas e uma média de 600 alunos no pátio não seria recomendável) e perdi 30 minutos tentando inutilmente introduzir a atividade, no fim, eles foram participativos. A última aula de quarta-feira foi das mais produtivas em termos de contribuição e participação dos alunos. Não usei a atividade do "carro", mas a idéia inicial da travessia em apoios por grupo - por favor, peço sugestões melhores para nomear essa atividade: os alunos divididos em grupos de 3 ou 4 devem cumprir a tarefa de atravessar o espaço determinado utilizando somente o número de apoios solicitado pelo professor, tentando sempre inovar frente ao que os outros grupos executam. Muita criatividade. O "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço" também foi muito bom. A sexta-feira foi um dia complicado, em resumo: travessias em diferentes maneiras de locomoção e um pega-caranguejo no final. Só não foi realizado na 4ªI, pois tive um problema sério com três alunos, inclusive levando-os à diretoria. Não foi legal, não gosto de recorrer à última instância, mas não houve outro jeito. Estes ficam sem Educação Física até abril.
Pouco a pouco, tenho conseguido ir moldando o formato de aula que pretendo conduzir. A insegurança ainda existe, e em grande parte dos momentos, mas tenho me esmerado em melhorar de acordo com o que tenho visto, percebido e identificado. Uma boa semana e até breve!
Notas da semana:
Com as aulas na Unicamp retornando, o meu tempo vai se tornar um pouco mais escasso, embora duas disciplinas não sejam uma carga assim tão expressiva, penso eu. Nas escolas, eu busquei continuar oferecendo experiências de conhecimento do movimento em todas as turmas, tanto para saber o que eles já conhecem/fazem/gostam como para ir introduzindo a idéia de uma Educação Física como área de estudo diferenciada. Os resultados gerais têm sido ótimos. No geral...
O mês de março foi o pontapé inicial para entrar de cabeça no planejamento das aulas e das turmas de treinamento (essas ainda inativas, pretendo resolver tudo até quarta-feira para começar na próxima semana). A segunda-feira com as segundas séries do Celeste foi bem tranqüila, todos pareceram gostar das aulas, com os mesmos insistindo em não querer participar ou estarem sem vontade. Apliquei as mesmas atividades de sexta-feira e funcionou muito bem, inclusive o "Siga o mestre", de muita criatividade.
Na quarta, mais dificuldade. Organizei uma atividade para verificar como andava a lateralidade das turmas: um circuito de "trânsito" desenhado com giz. As crianças se agruparam em trios enfileirados e eram os "carros", sendo que o aluno do meio dirigiu o primeiro com toques nas costas. Apesar da desorganização inicial, a turma se entendeu e o exercício final, o qual apelidei de "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço" fez bastante sucesso. Nota para a dificuldade que eles ainda apresentam em se organizar para ouvir e conversar sobre a aula, levamos 10 minutos para conseguir sentar em círculo. Na 2ªH foi quase impossível aplicar as atividades, eles se mostravam muito agitados, o que me levou inclusive a prometer deixá-los em sala na próxima aula.
As turmas de 4ª séries se mostraram mais receptivas aos exercícios do que eu imaginei, já que adaptei os mesmos exercícios das turmas menores, agora pensando mais na questão do corpo em movimento e suas variações. A turma mais problemática (não sei se posso chamá-la assim, pois são aquelas 3 ou 4 lideranças negativas que atrapalham o andamento da aula) foi uma das mais interessadas durante toda a aula, talvez pela ausência de alguns dos alunos mais velhos. Me esqueci do intervalo das quintas séries na segunda aula (sim, a escola tem mais de um intervalo por período, são 16 salas e uma média de 600 alunos no pátio não seria recomendável) e perdi 30 minutos tentando inutilmente introduzir a atividade, no fim, eles foram participativos. A última aula de quarta-feira foi das mais produtivas em termos de contribuição e participação dos alunos. Não usei a atividade do "carro", mas a idéia inicial da travessia em apoios por grupo - por favor, peço sugestões melhores para nomear essa atividade: os alunos divididos em grupos de 3 ou 4 devem cumprir a tarefa de atravessar o espaço determinado utilizando somente o número de apoios solicitado pelo professor, tentando sempre inovar frente ao que os outros grupos executam. Muita criatividade. O "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço" também foi muito bom. A sexta-feira foi um dia complicado, em resumo: travessias em diferentes maneiras de locomoção e um pega-caranguejo no final. Só não foi realizado na 4ªI, pois tive um problema sério com três alunos, inclusive levando-os à diretoria. Não foi legal, não gosto de recorrer à última instância, mas não houve outro jeito. Estes ficam sem Educação Física até abril.
Pouco a pouco, tenho conseguido ir moldando o formato de aula que pretendo conduzir. A insegurança ainda existe, e em grande parte dos momentos, mas tenho me esmerado em melhorar de acordo com o que tenho visto, percebido e identificado. Uma boa semana e até breve!
Notas da semana:
Assinar:
Postagens (Atom)