Houve um tempo em que crianças e adultos não viviam com representatividade diferente na sociedade. Os pequenos eram desde cedo envolvidos nas tarefas de cuidar da casa e do sustento da família. O entendimento do ser humano em desenvolvimento como alguém que precisa de tempo para amadurecer é recente. Assim mesmo, já vem sendo posto de lado por quem deveria ser mais interessado nisso. Como? Explico...
Olhe uma criança, nem precisa ser assim tão grande. Do alto dos seus 4, 5 anos, a criança já está na escolinha, frequenta aulas de alguma coisa e se veste com miniaturas de roupas adultas. Se andarmos um pouco na idade, fazer 10 anos já é um marco em que se auto proclamam pré-adolescentes e exigem serem tratados de maneira diferenciada. Do mesmo jeito, querem já assumir comportamentos e atitudes antes vistas somente na metade da adolescência...
Temo pelo futuro da escola com a diminuição do tempo da infância. De verdade. Eu já não acredito na instituição escolar atual, pois ela é ineficiente nos aspectos físico, pessoal e social. Mas qualquer tentativa será inútil em breve e não será de todo estranho o início da preparação profissional específica logo após os primeiros meses de vida. De quem será a culpa? Se nascemos apenas com instinto de sobrevivência e adquirimos bagagem para desenvolver o instinto social, fica claro que é externo e não interno: crianças não nascem pré-programadas para pensar além.
Era imposto à criança amadurecer rápido para tomar conta de seu nariz o quanto antes. Hoje, parece pior: a criança impõe ser diferente do que é e abre mão de poder experimentar de tudo pela sua inocência, uma ignorância perdoável e adorável. Adoro colocá-los pra jogar e brincar nas minhas aulas: caem muitas das máscaras e eles mostram que ainda tem 10 ou 11 anos e só querem saber daquele momento que lhes dá prazer simples e puro... Vou ver se algum deles quer trocar comigo, adoraria ser quem sou hoje com uns 10 anos a menos!