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sábado, 3 de outubro de 2009

Residindo no medo

O título assusta? Inicialmente, talvez. Vou me justificar quanto ao uso de um termo popularmente negativo.

Estou participando de um curso muito interessante na EEFE-USP, aos sábados, ministrado pelo prof. Walter Correia. A turma é toda formada por professores de escola pública e o título não é algo tão comercial como se vê por aí: Educação Física Escolar - Acolhendo Dilemas e Soluções Docentes. Não tem fórmula mágica, não nos coloca a par das últimas novidades pedagógicas nem bate na mesma tecla de nos responsabilizar pela mudança na educação. Simplesmente, a proposta é dar voz a todas as angústias que surgem dentre os docentes.

E isso vem funcionando, como bem disse uma colega na manhã de hoje, é quase uma terapia de grupo! Participei da dinâmica inicial de hoje. A temática? MEDO. "Você tem medo de quê?"É difícil asssumirmos a relevância de considerarmos nossos medos cotidianos. Lembramos de medo de altura, medo de escuro, medo da violência... E o medo de não acertar no trabalho? E o medo de magoar alguém com nossas atitudes? E o medo de não corresponder às expectativas?

Luzes apagadas, silêncio para ouvir os relatos. Fui o último dos três primeiros e sintetizei em algumas palavras a imensidão de sentimentos que me invadiram desde fevereiro de 2008, meu início no magistério. Dei vazão ao grande medo que tenho e me senti melhor, falei de como tenho medo de ver a instituição ESCOLA fracassar, perder seu sentido e não ter mais valor perante uma sociedade renovada e veloz. Ao mesmo tempo, "cutucados" pelo professor, aproveitamos a perguntaa música dos Titãs - Comida: "Você tem fome de quê?". A minha fome se saciará ao ver essa escola prosperar por meio de professores, alunos, famílias e investimentos.

Taí, eu aceitei esse medo, falei sobre ele e não me parece mais tão assustador. Pensei na minha fome e agora fica claro que realmente é o que me motiva a estar todos os dias na escola.

Um medo que não é físico. Uma fome que também não é material... Como eu queria que cada um dos meus alunos encontrasse essas respostas, se não em si mesmos, pelo menos com a minha ajuda, ou de seus professores. Que seja... A diferença será feita onde existe algo faltando.

Abraços a todos. O quarto bimestre está prometendo!
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