Mostrando postagens com marcador angústias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador angústias. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Malhando em Maio

Boas! Por pura falta de organização, a sexta-feira que passou ficou em branco. Estive atolado de afazeres que permiti acumularem-se ao longo dos dias, não dei conta de tudo em minhas manhãs de tempo livre.

Não lamentarei tanto porque não tinha muito sobre o que discorrer antes, mas hoje voltei da escola refletindo um pouco sobre tudo aquilo que venho tratando como AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA. A atribuição de desenvolver as atividades pedagógicas neste componente curricular é de responsabilidade indivíduos licenciados em cursos superiores de Educação Física, meu caso. Caso de muitos por aí, inclusive. Mas o leitor deve estar se perguntando onde é que pretendo chegar com essa falação sobre o óbvio?

O fato é que não estou feliz com o andamento de minha atividade docente. Embora esteja caminhando com conteúdos e atividades, não observei efetividade no primeiro bimestre, constatação nas produções avaliativas dos alunos dos sextos anos. Dois meses e pouco mudou no entendimento deles a respeito do mundo do movimento... Concluo e informo: "Houston, we have a problem!"

O canal de comunicação anda falho. A famosa predileção pela Educação Física é algo completamente superado e o diferencial "fora da sala em movimento" também não tem sido atrativo. Por vezes, percebo em mim certo cansaço e frustração além do comum para as diferenças entre REAL e IDEAL. Nem mesmo para mim ando causando boa impressão...

Alguns degraus conquistados... Não quero descer e minhas pernas já alcançam passos maiores!

Um dia sonhei com a LUDocência a pleno vapor, transformando olhares, ideias e permitindo que aqueles projetos de gente, donos de alguns pensamentos e prontos para experimentar de tudo, conseguissem crescer um pouco melhor usando aquilo que viam nas aulas de Educação Física. Não questiono a influência que ainda posso ter, mas sim a viabilidade das opções que faço e venho fazendo. O mês de MAIO vai ser data-base nesta revisão do professor que eu sou e ainda posso ser. Aquele recém-formado de 2008 sabia que podia ser melhor...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um pouco da alegria que se vai

Perdoem a ausência de temas relacionados à LUDocência, mas são coisas que a gente não consegue lidar se não botar para fora, é fato. Neste dia 12 de outubro, foi-se a Lilinha. Semana que vem, espero retornar minhas séries didáticas, por hoje, ficarei com a saudade dela.

Lilinha dormindo no domingo, 09 de outubro de 2011

Fala-se muito no cão ser o melhor amigo do homem. E olha que tem gente achando ter milhares de amigos, pensa ser querido por todos, pode contar sempre com a ajuda e o apoio dessa galera. Mas existem certas condições que afastam esses supostos "amigões": você depois de um dia de trabalho, cansado, desarrumado, sem dinheiro no bolso, sem paciência para contar uma piada ou ser piada, com fome ou mal humorado.

Mas o seu cão, não. Ele te vê, abana o rabo e vai sem sua direção, não importa como você surja na frente dele. A alegria é a mesma em qualquer hora, em qualquer condição e só é maior quando ele está com muita fome!! Falo em linhas gerais e sei que nem todo cão é assim, mas a Lilinha era.

Quando chegava em casa na terça de madrugada, o bate-volta semanal entre Campinas e São Paulo, ela sempre me recebia, mesmo no escuro. Era a primeira a me ver e a última a se despedir quando eu partia de vez rumo à capital na manhã seguinte. Me contagiava sempre, mesmo quando eu estava sem energias, oferecia sua barriga para eu coçar, eu prontamente oferecia algum carinho. Sair de casa deve deixar a gente mais besta, saudoso, e vê-la era sinal de estar de volta para minha família. Agora, não mais.

Nossa preocupação com ela não foi suficiente, afinal escapadas para a rua ou escavações no jardim não foram o que a levou. A idade veio, a gente percebia que ela já não enxergava bem, escutava menos e se locomovia com alguma dificuldade, mas ela estava bem, vivia tranquila lá em casa, dormindo bastante e sempre dando as caras. Dois dias depois de passar uma tarde toda passando por nossas pernas lá em casa, piorou e não voltou mais. Não voltou para dormir na sua caixa, nem para me deixar preocupado em fechar o portão rapidamente, antes que ela desse um daqueles piques pra fugir rua abaixo.

Queria que todos tivessem um cão para amar e serem amados. Que meus alunos tivessem a oportunidade de experimentar esse afeto sincero para então compreender como é fácil querer bem para ser bem quisto, oferecendo o melhor sem esperar o mesmo, apenas sendo feliz em mostrar que está feliz. A Lilinha cansou de provar o quanto nos amava, buscou nosso olhar quando chegava o fim e nos sentimos impotentes, mesmo a amando muito.

Não sei se fui claro, mas vou deixar o texto que meu irmão também escreveu a respeito, ele é quem tinha a Lilinha mais do que eu. Para mim, valeu o esforço de dar a ela o último auxílio e o derradeiro refúgio, cada centavo gasto, cada gota de suor e cada calo nas mãos em agradecimento por ter estado em nossas vidas por tanto tempo. Espero que ela aproveite para descansar muito, ela merece. Abraços a todos.

Lilinha

Uma das últimas fotos que tirei da Lilinha em 2011.
Nesse feriado, uma dor muito grande tomou meu coração. A pequena cachorrinha que eu cresci cuidando e amando partiu desse mundo. E o post de hoje eu escrevo com muitas lágrimas nos olhos.

O engraçado é que tudo começou em um outro Dia das Crianças em 1998. Eu tinha 8 anos e estava na segunda série do ensino fundamental. Uma criança em todos os sentidos possíveis. Mas não sabia ainda que quem eu conheceria naquele feriado marcaria a minha vida de uma forma tão bonita.

A minha avó se mudou para Caconde/SP em 1997 e desde então todos os feriados a gente pega o carro e vai pra lá fazer uma visita. O sítio na época ainda era novidade para mim e eu me divertia muito lá. Nesse feriado, a gente saiu sábado cedinho e chegamos em Caconde no horário do almoço. Passamos também o domingo lá, mas na segunda-feira de manhã, dia 12 de Outubro, fizemos mais uma curta viagem até Poços de Caldas/MG, onde ainda vivia minha tia-avó Valda. A minha tia tinha uma filha adotiva que é apaixonada por animais. Já possuía uma cachorra grande, vários gatos e muitos pássaros, porém ainda tinha espaço para uma boa ação. Uma cadelinha tinha tido filhotes e estava largada nas ruas da cidade, pois a minha "prima" acolheu-a e doou os filhotinhos. Infelizmente, ou muito felizmente para mim, ela não conseguiu doar a cadela, e ela não poderia ficar na casa, então voltaria para a rua.

Primeira foto com a Lilinha na sua casa feita
por mim e o meu pai.
Eu não sou e nem fui do tipo criança mimada. Meus pais me negaram muitas coisas e eu aprendi a aceitar uma coisa que ia contra a minha vontade desde muito cedo. Mas naquele dia, nada ia tirar aquela cadelinha de perto de mim. Foi paixão instantânea entre nós dois. A minha prima me apresentou ela como Lili, mas a gente foi chamando ela de Lilinha e o nome ficou. Sabendo da história de que ela iria para a rua, eu tive que tomar uma posição. E pedindo muito para os meus pais, acabei convencendo-os de trazê-la até Caconde e depois para Campinas. Eu consegui.

Ajeitamos ela no porta-malas dentro de uma caixa (caixas sempre foram a paixão da Lilinha) e partimos rumo a Caconde e mais tarde de volta para casa. O Rick, meu outro cão da época (que partiu em 2007), logo deu as boas-vindas para ela e os dois se tornaram grandes amigos desde então. A Lilinha se sentiu em casa e a alegria dela invadia tudo e a todos.

Quando a gente sente uma coisa no coração que a gente chama de amor, nem sempre sabemos que ele está lá. Nem sempre a gente dá valor. E a Lilinha conviveu comigo durante todos esses 13 anos e eu não sabia quão grande esse amor era. A gente passeava pelo bairro e ela me acompanhava ao andar de bicicleta, na casa de amigos meus, nas idas a padaria, farmácia... Uma companheira sempre alerta para ouvir o barulho da sua corrente de passeio, se aproximar rebolando aquele rabo de um jeito engraçado, com a boca curva em um sorriso e os olhos em atenção total a mim.

Lilinha em 2003.
Em alguns anos, a minha vida ficou corrida, eu fiquei sem tempo para passear com ela e os nossos encontros se tornavam raros momentos de carinho. Eu me arrependo bastante de não ter dado a atenção que ela precisava nesses últimos dias, sinto que fui negligente... Mas ela sabia o quanto eu queria não estar cansado depois do trabalho e da faculdade para acariciar sua barriga enquanto assistia televisão com os meus pais.

A Lilinha, além de uma ótima parceira familiar, foi também muito querida entre meus amigos. Ela era uma amiga até dos meus amigos. Sempre alguém perguntava "onde está a Lilinha?", "como está a Lilinha?", "a Lilinha ainda está com vocês?", o tipo de demonstração de carinho que não é qualquer cão que é capaz de causar.

Eu não sei como terminar um post desse. Ela foi uma cachorrinha muito forte pra idade dela. Ainda corria como se fosse seu primeiro dia lá em casa. Ainda latia como se fosse a primeira vez que um gato pulou no nosso quintal. Eu tinha certeza absoluta que ainda a teria por pelo menos uns dois ou três anos. Mas nesta última terça, dia 11, ela passou a tarde muito quieta e paralisada. Eu fui visitá-la após a faculdade e fiquei muito preocupado com seu estado triste na cama dela, mas preferi esperar o dia seguinte, e o efeito da vitamina que a minha mãe sempre dava a ela quando ela estava doente, para ver se aquilo passava. Mas acordei na quarta com a notícia do meu irmão de que ela estava fazendo barulhos de dor e sua respiração havia piorado. Pesquisamos um veterinário e partimos na mesma hora com ela em sua cama ainda, dentro do carro. Fui acariciando sua cabeça durante o percurso, tentando aliviar a sua dor.

Fazendo-se de molenga pra foto em 2011.
Quando ela foi atendida, seu quadro já estava muito pior. Mas apesar disso, sua mente ainda tentava recuperar-se da invalidez, e ela por várias vezes se levantou nas patas dianteiras e me olhou como quem pede ajuda. Essa imagem não saíra nunca da minha memória. É por ela que eu mais choro. O veterinário me disse então que o quadro dela era muito grave e que ela tinha problemas no coração e nos pulmões, além da barriga. Me deu a opção de tentar curá-la através de soro e diuréticos, ou levá-la para casa e esperar o fim. Eu acreditei mais uma vez nela e deixei a internada. Já na sala com o soro, ela gemia ainda mais e eu não podia fazer nada. Eu só podia olhar. Não aguentei, me despedi com um breve carinho em suas costas e parti com o meu irmão.

Pouco mais de uma hora depois, recebo a triste notícia de sua morte. A dor ainda ecoa dentro de mim como se aquilo tivesse acontecido agora. Eu tento não sofrer, mas aprendi que eu só supero as minhas dores quando coloco tudo pra fora. E esse post é a minha forma de agradecer a Lilinha por tudo que ela nos ofereceu. Espero que ela tenha sido feliz até o final e que o tratamento que a demos tenha sido suficiente para pelo menos valer um pouco sua paixão incondicional pelos donos mesmo quando maltratada.

Lilinha, eu te amo como uma filha, uma irmã e uma mãe. Você é e sempre será do meu sangue, da minha família e da minha eterna memória. Obrigado por existir.

sábado, 9 de abril de 2011

De portões fechados

Nesta semana, a tragédia no Rio trouxe comoção nacional e colocou na mídia uma discussão antiga: a segurança nas escolas. Muito se discutiu sobre como o atirador entrou facilmente na unidade de ensino, como pode circular com liberdade pelos corredores, como a saída desesperada dos alunos pelos corredores foi cheia de atropelos e esbarrões...

Não sei quando foi, mas vem de alguns séculos essa cara da escola: muros altos que não deixam ninguém enxergar nada lá dentro, portões de ferro trancados com correntes e cadeados, seguranças contratados, rondas de funcionários nos corredores... Já citei o autor uma vez por aqui, mas ainda vale a pena relembrar as discussões de Foucault sobre as semelhanças entre instituições públicas de controle (escolas, hospitais, presídios). Essas construções se configuraram desta forma para atender demandas da sociedade que perduram até hoje, infelizmente.

E as pessoas continuam se convencendo de que essa é a melhor situação, que devemos fechar mais as escolas, proteger com grades e sistemas de segurança, isolar completamente toda instituição de ensino do mundo lá fora. Pra quê? O que é mais fácil pode trazer mais problemas, com demandas reprimidas, excessos de controle e uma vigilância permanente que abusa e fere o direito de ser.

Por que não repensar a maneira como enxergamos as coisas?
Por que não transformar as ideias de acumular, vencer e sobrepujar em dividir, compartilhar e confortar?
Por que não fazer do mundo onde vivemos um lugar onde todos se sintam confortáveis, sem precisar explodir no cano de revólveres, nos homens-bomba, nas discussões do trânsito, nas brigas por lugares na fila e na abominável situação em que crianças perdem o direito de viver pela intolerância e pelo radicalismo?

Eu queria uma escola que se abrisse para o mundo, que fizesse parte dele, na qual os lugares de aprender fossem qualquer lugar. No entanto, tudo se encaminha para um fim triste em que a sociedade só transmite o que há de negativo. A ilha de educação, antes fosse isolada, agora lida com um panorama de total enclausuramente para que se faça existir.

Abraços a todos.

domingo, 8 de novembro de 2009

Os porquês

É bem verdade, e aqueles que trabalham com ou conhecem a realidade de qualquer estabelecimento de ensino público podem confirmar, que a escola não atinge o interesse dos alunos (embora eu insista em colocar a culpa em quem fica do lado de cá, não dá pra sobrar tudo nos professores! Falo muito mais de um sistema falho e falido). De forma quase recíproca, os alunos não se interessam pela escola e assim segue... Agora, algumas perguntas que doem por existirem e inflamam ao pedirem respostas!

Quando chegam as tentativas que, após identificarem uma realidade que existe, buscam tocá-los e mostrar algum valor naquilo que se fala e tagarela por 110 minutos semanais frente 40 indivíduos em construção constante, por que não há receptividade? Gostaria que todas as pessoas, envolvidas direta ou indiretamente com a escola, ricas ou pobres, brancas, amarelas, verdes ou azuis, pudessem por um dia assumir uma classe com a simples tarefa de falar aos alunos sobre algo que seja significativo para todos dentro da mesma sala.

Por que é tão errado em querer trocar ideias, pensamentos e conhecimentos sobre as mesmas coisas de que falamos todos os dias? Na maioria das vezes, o mundo que é desenhado com giz em cada lousa é bem diferente daquele de cores, gostos, cheiros e sons reais percebido quando se olha pela janela. Bato o pé e quero saber: por que a recusa em aproximar-se de uma realização conjunta e possível pelas próprias mãos?

Por que é preciso valer-se de cada situação para tentar sobrepujar, ridicularizar, ver prejudicado ou mesmo "tirar onda" com a pessoa que está do lado? Posso substituir a pessoa do lado pela pessoa na frente da sala... Posso substituir alguns dos termos que se dirigem a um ser vivo pensante e torná-los mais relacionados a objetos: Por que é preciso valer-se da cada situação para testar a resistência, usar inadequadamente, inutilizar, monopolizar para não dividir o material que é rico e pode ter sido construído por ele mesmo? Não entendo como é tão difícil usar cada coisa para dialogar com o mundo...

Por que se perde tanto com chamadas de atenção, pedidos de silêncio, broncas, repreensões...?

Por que eu insisto em continuar buscando as respostas para perguntas que eu já deveria ter respondido na faculdade?

Por que as perguntas desse post não acabam?

Faça as suas perguntas, me ajude com respostas, altere os questionamentos... Eu queria que meus alunos assumissem essa postura crítica o tempo todo.

Por que ainda devo deixar abraços a todos? Simplesmente porque sempre me faz bem escrever sobre o que não é falado, são perguntas que não existem e ao mesmo tempo se fazem enxergar sempre, tanto e quando.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...