Mostrando postagens com marcador conteúdo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conteúdo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Enquete

Olá a todos! Nesta sexta-feira, a novidade! Agora, vocês vão escolher qual o próximo tema que abordarei na nova série de postagens. Basta votar na enquete abaixo e torcer para ser a mais votada! Enquanto a enquete rola, na próxima semana escreverei sobre o cotidiano. Está meio apertado por enquanto (fim de bimestre), mas não deixarei de publicar. Não esqueça de votar aí logo na sequência ou no canto direito da página, ali do lado ;)

Sobre qual tema deve ser a nova série de postagens do LUDocência?

Estudo dos esportes coletivos

Ginástica

Vôlei

Outros, sugira nos comentários!











Abraços a todos e obrigado pelas visitas! Entrou, vote, peça o pedaço de LUDocência que você está procurando!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pedagogia do basquete - encestando novas possibilidades III


Agora é hora de falar um pouco das atividades que podem ser trabalhadas com os alunos. Já tem um tempo que aquele modelo de aula feito com base no treinamento de habilidades vem sendo recriminado no meio acadêmico por privilegiar somente quem já possui maior bagagem motora. Ainda, a opção por jogos e atividades gerais que colocam a criança para jogar diretamente são mais inclusivas, mas talvez não deem chance do aluno perceber as maiores possibilidades dentro de um jogo ou esporte coletivo. Minha ideia: nem uma coisa, nem outra. Há momentos mais voltados para a coisa das filas, trocando passes, fazendo o movimento (embora sejam parte pequena do programa) e momentos em que se pode testar todas as variações possíveis dentro do esporte, sem restringir intenções e inovações que venham a surgir. Sou a favor de que se consiga jogar um basquete, no caso, próprio daquela turma, daqueles alunos e não vinculado a um modelo do esporte espetáculo, afinal os caras medem 2 metros e lá vai pedrada, meus alunos não passam do 1,70m!!!

Basquete

Aula 1 - Apresentação da modalidade
Momento de perguntar aos alunos se conhecem o esporte, se já viram ou jogaram uma partida, o que sabem das regras, se existe algum atleta famoso, se há locais onde se possa jogar nas redondezas. Depois, sugiro montar com eles um quadro informativo bem simples sobre a origem da modalidade, seu objetivo fundamental, possíveis movimentos, número de jogadores, um desenho da quadra, forma de disputa e tempo de duração de uma partida.

BASQUETE
Nome oficial = basquetebol (do inglês "basketball", onde basket significa cesto e ball significa bola)
Origem = nos Estados Unidos da América (EUA), em 1891, criado pelo professor de educação física James Naismith.
Objetivo = Acertar a bola em cestos para marcar pontos.
Movimentos fundamentais = Driblar, Arremessar, Passar e Receber, Pegar rebotes.
Regras básicas = Equipes formadas por 5 jogadores em quadra disputam partidas de 40 minutos, divididos em 4 tempos de 10 minutos. As cestas valem 1, 2 ou 3 pontos dependendo de onde e como são feitas.
Quadra de jogo =
Aula 2 - Manipulação de bola
Pode parecer simples, mas saber quicar uma bola no chão é impossível para alguns alunos chegam às séries finais do ensino fundamental, resultado de uma educação física que permite que se sintam excluídos e desconfortáveis em tentar realizar o que é proposto. Aqui a discussão entre atividades de caráter mais tecnicista faz um pouco de sentido e não vejo problema em dividí-los em filas para que executem diversas maneiras de driblar e passar a bola (até porque, infelizmente, não há uma bola para cada um na imensa maioria das escolas), vale inclusive o uso de jogos de estafeta para tornar a coisa mais motivante!

- Desloca-se pelo espaço lançando a bola e pegando, sem deixar cair (variações: acrescentar palmas antes de pegar a bola lançada para cima);
- Desloca-se pelo espaço passando a bola ao redor do corpo com uso das mãos;
- Desloca-se pelo espaço passando a bola por baixo das pernas, com flexão do quadril;
- Desloca-se pelo espaço passando a bola de uma mão para outra;
- Sai driblando a bola com uma das mãos e retorna com a outra;
- Sai driblando a bola alternando as mãos;
- Sai driblando de costas;
- Sai driblando e girando para a direita e esquerda;
- Sai driblando a bola por entre as pernas, de um lado a outro;
- Sai driblando e passa a bola nas mãos do colega;
- Sai driblando e passa a bola quicando no chão;
- Sai driblando e passa a bola por cima da cabeça.

Essas atividades podem ser realizadas em toda aula como aquecimento e como oportunidade relembrar e possibilitar um maior número de execuções por parte dos alunos. Existem outras possibilidades como:

- Dispor cones pelo espaço, devendo o aluno driblar contornando todos, retornar à fila e passar a bola;
- Dispor cones em linha, devendo o aluno driblar entre todos, retornar à fila e passar a bola.

Outra sugestão é tornar o trabalho mais coletivo, fazendo com que a bola saia, por exemplo, com o último da fila, que executa a tarefa e retorna na frente, passando a bola para trás de maneiras variadas: por cima da cabeça, por baixo das pernas, pela lateral do corpo, alternando diferentes maneiras. Ainda pode-se fazer com que o primeira da fila inicie a atividade, retorne driblando por entre os colegas (que ficariam mais afastados) e passe a bola para frente.

Existem infinitas variações na questão da manipulação da bola, basta ter criatividade e observar bem quais são as tarefas que trazem desafio e curiosidade aos alunos. Inicialmente, eles terão muita vontade de começar a arremessar na cesta, mas é legal fazer com que compreendam que terão muitas chances de fazer tudo que está presente em um jogo de basquete.

No próximo texto, atividades que incluam o arremesso, sem abandonar essa herança de integrar as possibilidades em pequenos jogos. Encontro vocês aqui em breve! Abraços a todos, fiquem livres para comentar.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Pedagogia do basquete - encestando novas possibilidades II

Só pra descontrair, basquete é sim um esporte estadunidense, mas tem lá sua graça! Olha o presidente Obama fazendo suas cestas por aí...

Lá nos EUA, tem uma tabela de basquete em cada esquina, por isso que os caras dominam... A gente domina o futebol porque todo terreno baldio era um campinho. ERA. Assim, a gente foi eliminado da Copa pela Holanda, mas isso é outra história...

Vamos então ao que interessa! Na perspectiva em que trabalho, não vejo o aprendizado dessa modalidade focado somente nas habilidades motoras isoladas. Dividir duplas e trocar passes é pouco para motivar e transformar a prática, vale mais apostar em jogos de grupo que demandem a utilização dos chamados fundamentos sem causar traumas. Todos tem a possibilidade de tentar, na sua vez, sem pressão... Ainda tem o problema do material, pois não há tantas bolas como gostaríamos, então com 3 ou 4 conseguimos dispor de muitas cartas na manga para dar conta de mostrar aos alunos o quanto pode ser interessante jogar basquete.

Pensemos em uma sequência semelhante a esta:

1 - Vivência livre para manipulação da bola em função dos usos que os alunos acreditam pertencer ao jogo

2 - Apresentação básica da modalidade em sua origem, aspectos gerais de organização (movimentos, jogadores em quadra, forma de disputa e tempos de jogo)

3 - Discussão em conjunto de algumas regras do jogo e suas justificativas

4 - Momentos coletivos para atividades relacionadas

5 - Jogos orientados entre equipes

6 - Avaliação dos objetivos específicos

Os momentos 4 e 5 podem acontecer em maior frequência e alternando entre si, permitindo que os alunos reforcem ideias, conceitos e possibilidades do jogar e, a seguir, usem durante jogos organizados na turma. Essa combinação é ótima para ir percebendo a evolução dos alunos na sua forma de jogar individual e coletivamente.

No próximo texto, sugestões de atividades e jogos para fazer basquetebol. Agradeço as visitas, não esqueçam de registrar suas impressões com comentários e votem no banner aí do lado pra gente ter mais visibilidade. Abraços a todos!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pedagogia do basquete - encestando novas possibilidades I


Hoje começo uma nova série de postagens com o tema Basquete. As propostas que deixarei aqui registradas são resultado das experiências passadas nas mais diversas idades, nas possibilidades materiais que são mais comuns e buscando falar de basquetebol num entendimento muito mais amplo que o EU-BOLA típico dos exercícios em fundamentos da modalidade.

O basquete me seduziu ainda na escola, durante minha formação básica. A facilidade em recuperar a bola nos rebotes e os passes bem feitos me aproximaram do esporte... E continuei sempre jogando e assistindo jogos ao longo da minha vida! Na minha opinião, a dificuldade em conseguir marcar os pontos e o jogo coletivo trazem elementos que não são comuns para outros esportes.

O foco ao longo desta série é tornar o aluno capaz de participar do jogo, dominando seus principais elementos motores e sabendo aplicá-los durante a prática, e favorecer a resolução de situações-problema, além de acumular informações sobre a origem e construção da modalidade para desenvolver um olhar mais crítico na apreciação desta e de outras modalidades esportivas.

O ponto de partida ideal é descobrir o que eles já sabem a respeito. Provavelmente, a forma de jogar e o funcionamento da partida são "arcaicos" se comparados ao conhecimento que possuem de esportes como o futebol, amplamente visto nas diversas mídias. Vale mostrar algumas imagens de grandes jogadores, inclusive brasileiros, para que fiquem motivados e queiram aprender mais durante essa história de arremessar a bola na cesta.

Continua... Abraços a todos!! Não esqueçam de votar no nosso blog aqui do lado e deixar também seu comentário.

sábado, 7 de maio de 2011

Lutas - a pedagogia da superação III

Demorou, mas chegou! A última parte da série sobre Lutas vem trazer algo um pouco mais aprofundado com relação a origem das modalidades orientais. Lá do outro lado do mundo, o embasamento filosófico por trás das atividades importa mais que a prática propriamente dita. Mas chega de conversa e vejamos quais são as possibilidades:

Aula 4 - O código de honra dos samurais
Os samurais, guerreiros japoneses da antiguidade, possuíam normas rígidas de comportamento e postura relacionadas não só ao aprendizado das artes da guerra, mas também ao modo de vida geral. Muito dessa tradição foi apropriado pelas lutas criadas depois de alguns séculos. Este código dos samurais se chamava BUSHIDÔ (bushi=guerreiro, do=caminho). A seguir, uma sugestão de texto para realizar atividades em sala:


Literalmente traduzido, Bushido significa "Caminho do Guerreiro", sendo "bushi" igual a guerreiro e "do" igual a caminho. Neste sentido, o ideograma para caminho, em japonês, é equivalente à forma chinesa “Tao”, e exprime o conceito filosófico de absoluto. Este conceito traz a idéia de origem, princípio e essência de todas coisas.É composto de sete virtudes nas quais se apóiam todas as ações do guerreiro ao longo de sua vida, entendida como caminho.

No geral, guerreiro é aquele que busca seu próprio caminho. Muitas pessoas podem estar perfeitamente buscando o caminho sem saber disso. Guerreiro é a pessoa que tem um objetivo, e que por meio deste, passa a ter consciência de seu dom e suas limitações. Através dessa consciência, o guerreiro atinge sua meta, combinada com a vontade de vencer fraquezas, temores e limitações.

Cada pessoa trilha seu próprio caminho, já que existem vários caminhos como o caminho da cura pelo médico, o caminho da literatura pelo poeta ou escritor, e muitas outras artes e habilidades. Cada pessoa pratica de acordo com a sua inclinação. Por isso pode-se chamar de guerreiro, aquele que segue seu caminho específico.

Quando o guerreiro assume uma responsabilidade, mantém sua palavra. Os que prometem e não cumprem, perde respeito próprio, tem vergonha de seus atos e sua vida consiste em fugir, gastam mais energia dando desculpas para desonrar sua palavra, do que o guerreiro usa para manter seu compromisso. Às vezes o guerreiro assume uma responsabilidade que resultará em prejuízo. Não torna a repetir esta atitude, mas honra o que disse e paga o preço de sua impulsividade.

"O caminho do guerreiro é o caminho da pena e da espada", esse conceito vem do antigo Japão feudal e determinava que dominassem tanto a arte da guerra quanto a leitura, apreciando ambas as artes. O bushi deve aprender o caminho de todas as profissões, se informar sobre todos os assuntos, apreciar as artes e quando não estiver ocupado em suas obrigações militares, deverá estar sempre praticando algo, seja a leitura ou a escrita, armazenando em sua mente a história antiga e o conhecimento geral, comportando-se bem a todo momento para ter uma postura digna de um samurai, tudo isso sem desviar do verdadeiro caminho, o bushido.

A etiqueta deve ser seguida, todos os dias da vida cotidiana, assim como na guerra pelos samurais. Sinceridade e honestidade são as virtudes que avaliam suas vidas. Transcender um pacto de fidelidade completa e confiança esta ligado à dignidade. Os samurais também precisavam ter autocontrole, desapego e austeridade para manter sua honra, em função disso, podemos dizer que o samurai é o guerreiro completo e seu código de honra - o bushido - tem forte influência no estilo de vida do povo japonês e oferece uma explicação do caráter e da indomável força interior desse povo.

Para o bushido, o caminho do guerreiro exige que a conduta de um homem seja correta em todos os sentidos, dessa forma, a preguiça é um mal que deve ser abominado. Mas existe problemas quando a pessoa se apóia no futuro, pois torna-se preguiçosa e indolente, já que deixam pra amanhã, aquilo que poderia ser feito hoje. Pessoas que agem dessa maneira, não seguem o verdadeiro preceito do bushido, que de um modo geral, é a aceitação resoluta da morte de maneira honrada.

Se o guerreiro tem plena consciência da morte, evitará conflitos, estará livre de doenças, além de ter uma personalidade com muitas qualidades e diferenciada às dos demais seres humanos. O guerreiro vive o presente sem se preocupar com o amanhã, de modo que quando contempla o rosto das pessoas, sente como se nunca mais fosse vê-los novamente, e portanto, seu dever e consideração as pessoas, serão profundamente sinceros. O verdadeiro guerreiro é aquele que aceita a morte, dessa maneira, ele não irá se meter em discussões desnecessárias que venham a provocar um conflito maior, já que assim ele pode acabar sendo morto e isso talvez resultaria na sua desonra ou afligiria a reputação e nome de sua família. Se a idéia de morte é mantida, será cuidadoso e suscetível de ser discreto e não dirá coisas que ofendam às outras pessoas. Também não cometerão excessos doentios com a comida, bebida e sexo, usando moderação e privação em tudo, permanecendo livre de doenças e mantendo uma vida saudável.

Resumindo, bushi é aquele que segue o caminho do guerreiro. Miyamoto Musashi disse uma vez: - Os homens devem moldar seu caminho. A partir do momento em que você ver o caminho em tudo o que fizer, você se tornará o caminho.

Adaptado de Bushido Online - http://www.bushido-online.com.br

Discuta principalmente a relação entre esses princípios de conduta e as transgressões cometidas pelos lutadores que usam de seus conhecimentos para agredir e violentar outras pessoas. Vale também reforçar que o termo "guerreiro" é usado no sentido figurado e pode corresponder a qualquer pessoa que tenha um objetivo e esteja em busca de algo.

Sugestões e referências:
Bushido Online - site com muitas informações sobre o Bushidô e também diversas artes marciais.

Filmes - São um apoio interessante para ilustrar as discussões realizadas e as atividades práticas.
- Karate Kid: vale a versão filmada recentemente com Jaden Smith e Jackie Chan, mas como a maioria deve ter assistido, busque o original e a relação interessante entre mestre e discípulo (sr. Myagi e Daniel).
- O Último Samurai: um filme muito bem feito e tocante com Tom Cruise e Ken Watanabe. Um soldado americano vai ao Japão treinar as tropas militares, mas acaba capturado pela resistência formada pelos samurais ainda existentes e contrários à abertura internacional do país. Durante seu período de reclusão na vila dos samurais, o capitão Algren aprende um pouco do modo de vida e das artes de guerra cultivadas, identificando-se e até mesmo lutando ao lado de quem antes enfrentara. Conceitos como honra e lealdade, princípios do bushidô, estão muito bem representados em várias passagens.
Assim termina nossa série sobre um conteúdo tão deixado de lado. As atividades aqui propostas são apenas um norte para quem está em busca de alternativas para discutir o tema nas aulas, modifiquem as ideias conforme entenderem funcionar melhor. Aposto que conseguirão ótimos resultados! Não esqueçam de voltar aqui e contar como foi! Abraços a todos e até a próxima!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Lutas - a pedagogia da superação II

Na sequência pedagógica proposta, a segunda parte vai mais a fundo nas modalidades de luta, observando sua organização prática como atividade e também sua fundamentação teórica.

Aula 3 - Os meios e modos de luta

Após um momento de prática que tinha como objetivo facilitar a assimilação de uma pedagogia baseada em jogos de oposição, podemos trazer mais informações para a discussão. Fazer alguns questionamentos sobre aquilo que já sabem é bem rico, pois eles percebem que apropriaram conhecimento e podem saber mais a respeito. Pergunte como podemos saber que uma pessoa pratica alguma luta só olhando para ela, pergunte também como é o lugar onde acontecem os treinos ou aulas de lutas e o que eles fazem nestes lugares. Daí já fica fácil tirar três possíveis assuntos: Vestimentas, Local e Organização Prática.

Vestimentas: como praticante, cada pessoa veste uma determinada roupa de acordo com a modalidade. No caso de grande parte das lutas de origem japonesa, a roupa consiste em uma calça e casaco brancos, um conjunto chamado de "GI" (lê-se GUI). Em outras, apenas uma calça ou calção sinalizam a luta praticada, nos casos do boxe e capoeira. Mas há casos como o da esgrima e do tae kwon do, onde além de caracterizar a modalidade, a vestimenta possui função protetora. Ocorre também o uso de uma faixa ou cordão que demonstra o conhecimento do lutador na modalidade, onde cada cor é uma etapa na qual ele precisa cumprir certos requisitos para continuar sua evolução no aprendizado da luta.

Karate gi - popularmente chamado de quimono

Aqui, atletas de Tae Kwon Do com a vestimenta adequada e usando também equipamentos de proteção na cabeça e no tronco (existem também protetores para os pés e luvas para as mãos).

Na capoeira, a calça é confortável o bastante para permitir movimentos amplos com as pernas. Na cintura, o cordão representa a experiência do capoeirista e o domínio que ele possui na modalidade.

Local: Novamente, a diferença entre briga e luta vale para que os alunos consigam identificar os lugares corretos. Após algum direcionamento, eles logo chegam à conclusão da importância que o local escolhido para a prática de lutas possui para os lutadores. Vale observar o respeito dos caratecas pelo dojô e a organização harmoniosa construída pela roda de capoeira. Quando esportivizadas, cada luta determina qual será o espaço e seus limites, assim como eventuais punições a quem o abandone. A título de informação, vale também citar a ocupação do espaço, que usa o mestre ou professor como referência à frente dos outros praticantes e distribui os lutadores de acordo com seu nível de conhecimento.

Na grande maioria das lutas orientais, o local onde a luta é praticada - dojo em lutas japonesas, dojang no tae kwon do e kwoon na China - merece muito respeito e nele não se pode pisar calçado ou entrar e sair sem prestar reverência.

Numa roda de capoeira, todos se envolvem com a atividade, pois enquanto dois lutam na roda, o restante toca instrumentos, bate palmas e canta as letras, observando e incentivando os colegas de atividade.

Organização Prática: aqui, vale questionar se acham que as lutas são apenas combates entre os praticantes ou se é necessário algum tipo de preparo. Assim, exemplos como o caratê, onde os lutadores dão início ao treino comprimentando o sensei (mestre), realizando exercícios de aquecimento e alongamento, passando aos exercícios de bases, golpes e defesas chamados kihon, sequências combinadas de movimentos chamadas de katas e, por fim, lutas com colegas chamadas de kumite, são ótimos para que eles entendam o funcionamento de uma atividade de lutas.


O referencial teórico fica para a última parte, com sugestões de textos, livros e filmes relacionados. Abraços a todos, até a próxima, não esqueçam de discutir comigo nos comentários, as participações são sempre bemvindas!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Lutas - a pedagogia da superação I


A ausência nessa última semana se deve ao feriado prolongado e também ao fechamento do bimestre, atividades para aplicar e avaliações a corrigir.

- Como assim?? Achei que Educação Física fosse só jogar na quadra e dar a maior nota para quem tem mais habilidade...

Espero sinceramente que você não concorde com o senso comum que me questionou aí em cima... Se assim for, ficará mais fácil de entender essa série de propostas relacionadas às Lutas.

Conforme escrevi aqui no outro post, gosto do tema e aprecio sua presença na escola. Vejo possibilidades de proporcionar aos alunos uma compreensão diferente, uma aproximação entre o mundo da prática de atividade física e uma base filosófica cujos objetivos vão de encontro à demanda atual: humanizar as relações e tornar cada um consciente dos seus limites.

Chega de blá, blá, blá!

LUTAS

Aula 1 - Conhecimentos iniciais
Para começar os trabalhos, é interessante desenvolver algo que facilite as discussões, levantando informações que eles já tenham, suas impressões a respeito, se já assisitiram algo relacionado na televisão... Tudo vale para começar a conversa. Não esqueça de construir a diferença entre luta e briga, enfatizando o caráter organizado da segunda em detrimento da resolução desordenada de problemas e violência da primeira.

Exemplos de atividades: dividir os alunos em equipes e realizar um pequeno jogo de forca com nomes de modalidades de lutas e outros termos relacionados; elaborar um roteiro de questões sobre o assunto, perguntando quais lutas conhecem, se já praticaram alguma, de que lugar do mundo tem origem as lutas que conhecem, se lutas sempre são ligadas à violência etc.

Aula 2 - A divisão por padrões de movimento
Se conseguirmos olhar a maioria das modalidades de luta, veremos que é possível agrupá-las de acordo com o que é determinante na prática. Assim, lutas como karatê, tae kwon do, capoeira, kung fu e boxe preconizam o CONTATO. Algumas também englobam ações que visam levar o adversário ao chão por meio do DESEQUILÍBRIO, quase todas as que também apresentam a IMOBILIZAÇÃO como característica marcante: judô, luta olímpica, jiu jitsu e aikidô. Ainda podemos acrescentar as lutas em que ocorre a EXPULSÃO DO TERRITÓRIO, situação predominante no sumô, por exemplo. Vale também citar aquelas em que são usados implementos como espadas e bastões, classificamos estas entre as lutas COM INSTRUMENTOS, das quais são exemplos a esgrima e o kendô.

Exemplos de atividades:
CONTATO - em duplas, traga um conjunto de pregadores de roupa. Alternadamente, um dos "lutadores" deve distribuir pregadores na parte da frente da roupa (tronco, braços e pernas) enquanto o outro tenta retirá-los no tempo determinado; ainda em duplas, um tenta encostar no pé do outro com as mãos.
DESEQUILÍBRIO - lado a lado, com um pé apenas no chão, os "lutadores" tentam forçar o adversário a colocar o outro pé no chão usando apenas os ombros; frente a frente, mãos entrelaçadas, posição de cócoras apoiada somente nas pontas dos pés, tentando fazer o adversário encostar o joelho no chão ou se sentar.

Créditos da imagem: blog Educador Nilton Zumba

IMOBILIZAÇÃO - um "lutador" possui uma bola, enquanto o adversário deve tentar tomá-la. Aquele que segura a bola deve fazê-lo sem utilizar as mãos e ao "ladrão" é vedado o uso de pancadas, socos, tapas e contato na região da cabeça e pescoço.
EXPULSÃO DE TERRITÓRIO - Frente a frente, mãos entrelaçadas, é permitido puxar e empurrar para fazer o adversário ultrapassar uma linha no chão; variar a atividade anterior usando somente uma das mãos, realizando de costas, permitir só puxar, só empurrar, em quatro apoios usando a lateral do corpo etc.
INSTRUMENTOS - Confeccionar uma espada de jornal, enrolando uma folha de jornal começando da ponta, na diagonal, bem apertado para ficar firme. Explicar brevemente as regiões de pontuação e o posicionamento durante o combate, organizando rotinas de enfrentamento entre todos. Uma variação que eu vi um tempo atrás era vestir o aluno com um colete de jornal e molhar a ponta da espada em tinta colorida para que os movimentos ficassem marcados no colete.

Primeira parte concluída. Nas próximas postagens, algum referencial teórico para basear os estudos, sugestões de filmes e mais atividades práticas. Não deixe de acompanhar o complemento da abordagem das lutas como adotei neste ano com as sétimas séries. Abraços a todos!

sábado, 16 de abril de 2011

Lutas na escola


Já vi gente negando aos alunos o conhecimento das lutas por entender que estimularia a violência, mais do que ela já está presente na escola. Já vi outros dizerem que não trabalham com esse conteúdo por que não possuem o conhecimento técnico. Discordo de todos e vejo o estudo das lutas como parte fundamental da Educação Física Escolar, além de trazer algumas vantagens interessantes para negar o uso de soluções físicas na resolução de conflitos e compreender a atividade física como um todo.

Para mim, é bem mais fácil tratar de algo que eu já vivi, experimentei e ainda gosto muito, o karatê foi minha principal atividade durante 4 anos na infância. No entanto, algumas atividades simples podem ser aplicadas até mesmo por aqueles que não tiveram contato com nenhuma luta!

As lutas tem origem na necessidade do homem de resolver suas diferenças com seus iguais e consigo mesmo. Sua prática permite ao ser humano entender os próprios limites, ser capaz de concentrar-se em um objetivo e adquirir um estado físico, mental e espiritual equilibrado. Existem modalidades diversas ao redor do mundo, com grande ocorrência no Oriente (países como China e Japão possuem diferentes estilos e milhões de pessoas praticando).

É preciso deixar claro durante este estudo a diferença entre luta e briga, já que a primeira é organizada e possui bases teóricas e filosóficas, enquanto a segunda é um descontrole emocional ligado à violência.

Nas próximas semanas, uma proposta didática dividida em dois módulos, conforme a divisão que utilizo na escola no 7º e 8º anos (6ª e 7ª séries). Tudo baseado na breve experiência que acumulo, já que existe pouca bibliografia nesta área de conhecimento. Indicarei algumas leituras que possam ajudar!

Fico por aqui na expectativa da Virada Cultural 2011, estarei curtindo lá no Anhagabaú. Abraços a todos!!!

sábado, 26 de março de 2011

Atletismo - a pedagogia em cada prova III

Boas! Para complementar a série, falaremos dos Lançamentos e Arremesso. E já vale explicar pra criançada a diferença entre lançar e arremessar, porque é batata! Você repete 467.925 vezes os nomes das provas e eles continuarão chamando Lançamento de Peso e Arremesso de disco (mas tudo porque o professor aqui também se confunde sempre, coisas de professor em formação).

Conforme pude averiguar junto a fontes confiáveis, o arremesso é o movimento no qual o objeto ou implemento utilizado parte próximo ao corpo antes de ser impulsionado a alguma distância. Já um lançamento é caracterizado pela posição afastada em que o implemento parte com relação ao corpo de quem executa a ação. Embora não exista tanta diferença visual, ajuda a entender os termos que usamos por aqui.

Mas vamos lá... Didaticamente, sempre explico que quando eles jogam bolinha de papel no cesto de lixo estão lançando e a tentativa de acertar a cesta de basquete é um arremesso em que a bola sai próxima ao corpo. Normalmente, eles gostam de ficar lançando e arremessando coisas para todos os lados, então pode apostar que eles vão curtir as provas.

OBSERVAÇÃO: Dado o caráter das atividades, em que objetos são impulsionados com força para longe, requer um olhar redobrado na segurança da aula, oferecendo as maiores áreas livres possíveis para os jogos de lançar e arremessar, verificando se não há ninguém na região em que acontecerão as quedas dos implementos. Evite acidentes e peça aos alunos que estejam atentos aos colegas!

Arremesso e Lançamentos

Aula 1 - Experimentação de lançamentos e arremessos diversos, utilização de diferentes materiais e diferentes alvos.

Exemplos de atividades:
Selecionar bolas de diferentes pesos e tamanhos, posicionando alvos que devem ser atingidos com uso de arremessos e lançamentos (cones, caixas, só não vale colocar o aluno que mais perturba de alvo); Uso de bambolês na atividade anterior; Estafetas de travessia em que o próximo elemento do grupo continua o lançamento do ponto onde o anterior conseguiu lançar; "Artilharia" - jogo em que posiciono uma bola no centro de um espaço e os alunos, divididos em duas equipes, uma de cada lado, tentam atingir a bola-alvo com outras bolas, induzindo-na a ultrapassar a linha adversária antes que ultrapasse a sua própria.

Aula 2 - Informações básicas sobre as provas de Arremesso e Lançamentos, verificando o conhecimento inicial dos alunos e apresentando a organização básica de cada modalidade de Arremesso e Lançamentos. Apresentar cada implemento para relação com objetos conhecidos. Se possível, trazer os equipamentos para exibição.

Exemplos de atividades:
Trazer imagens de atletas realizando as provas, pedindo que os alunos comparem e encontrem semelhanças e diferenças; Jogo de forca com palavras relacionadas às provas, oferecendo uma informação a cada palavra descoberta; Palavras cruzadas usando termos relacionados.

Aula 3 - Arremesso de peso e Lançamento de disco. Dinâmica e organização básicas de cada prova, uso de implementos semelhantes aos oficiais.

Exemplos de atividades:
Improvise algo mais simples de ser arremessado (por exemplo, uma sacola com areia envolvida por uma meia) e ensine a dinâmica do gesto, ressaltando a diferença entre lançar e arremessar, com o "peso" partindo da lateral do pescoço, ensinar o arremesso com deslocamento e com giro.

Deslocamento:


Com giro:


O disco pode ser construído com discos antigos preenchidos com folhas de jornal para fazer peso, frisbees de plástico comprados em lojas de brinquedos etc. Desenhar uma área de lançamento no chão, explicando como é a prova, regras básicas e técnica, que é a mesma do peso com giro.

Aula 4 - Lançamento de dardo e martelo. Dinâmica e organização básicas de cada prova, uso de implementos semelhantes aos oficiais.

Exemplos de atividades:
Sequência parecida com a da aula anterior. Os dardos podem ser improvisados com cabos de vassoura ou bambus de calibre médio. No meu caso, eu tinha na escola bambus com uma ponteira de metal, as pontas dos cabos de vassoura podem ser afiadas com estiletes para tornar mais parecido.Mostrar as fases do movimento e como lançar o implemento.

No caso do martelo, existem várias opções: amarrar uma corda em uma bola de borracha, usar uma bola velha, colocando um peso na parte de dentro, costurando com fios resistentes e amarrando uma corda ou ainda usar uma bola mais pesada dentro de sacolas mais resistentes, passando a corda pela alça das sacolas. O ideal é ter mais de um martelo, porque os lançamentos em sequência vão "detonando".

Créditos da imagem: http://coachr880.com/id92.html

Aula 5 - Atividade de fixação ou avaliação: Uma visita a uma pista de atletismo, exibição de vídeos de arremessos e lançamentos, roteiro de questões a serem respondidas, elaboração de quadro comparativo entre as provas estudadas etc. A ideia é estimular no aluno a tomada de consciência do que foi realizado: fui capaz de lançar e arremessar diferentes implementos em diferentes situações, avaliando meus próprios limites e potencialidades, conheço a organização do esporte competitivo etc.

Chega ao fim essa série de textos sobre uma organização de aulas de Educação Física Escolar em que o tema é o Atletismo. Pode ser que daqui um tempo, eu volte aqui nessas postagens e ache tudo muito diferente do que estarei fazendo, mas assim é o ensino. Torço para que estes exemplos possam servir de auxílio a quem, como eu, quer oferecer algo a mais a seus alunos nas aulas de Educação Física. Em um futuro próximo, mais sequências didáticas vinculadas ao jogar e brincar. Grande abraço a todos!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Atletismo - a pedagogia em cada prova II



Continuando a série sobre o estudo do Atletismo na escola, trataremos dos saltos. Criança que é criança gosta de saltar, é só lembrar da brincadeira de pular corda! Então basta oferecer o desafio de saltar mais alto e mais longe. Eu sugiro aproveitar as corridas com barreiras e obstáculos para iniciar a dinâmica dos saltos de maneira gradual, estudando os saltos logo na sequência.

Saltos

Aula 1 - Informações básicas sobre as provas de saltos, verificando o conhecimento inicial dos alunos e apresentando a organização básica de cada modalidade de Saltos. Apresentar a divisão das fases do movimento para compreensão dos gestos necessários (corrida de aceleração, impulsão, voo e queda/aterrissagem)

Exemplos de atividades:
Trazer imagens de atletas realizando as provas, pedindo que os alunos comparem e encontrem semelhanças e diferenças; Jogo de forca com palavras relacionadas aos saltos, oferecendo uma informação a cada palavra descoberta; Palavras cruzadas usando termos relacionados aos saltos.

Aula 2 - Experiências diversas para saltar.

Exemplos de atividades:
Brincadeiras com cordas, saltando individualmente, participando de jogos de salto em grupo; Saltos sobre trampolim para ajudar na impulsão (leia sobre um trampolim com pneu no post anterior Indo além do trivial).
Observação: Caso disponha de uma caixa de areia, é bem interessante oferecer aos alunos a oportunidade de saltar com uso do corpo todo, sem necessidade de cair somente em pé.

Aula 3 - Salto em distância e salto triplo. Peça que os alunos tentem saltar a maior distância possível saltando parados, inicialmente, e depois com uso de corrida para acelerar e deixem que percebam a diferença entre as distâncias alcançadas. Vale o mesmo para o salto impulsionando com uma perna ou outra, descobrindo qual das duas oferece mais projeção.

Exemplos de atividades:
Posicione bambolês ou desenhe círculos em distâncias graduais após uma linha traçada como referência para o salto. Os alunos devem tentar saltar para cair dentro dos alvos; Marque um jogo de amarelinha, que pode ser o tradicional ou com algumas alterações como quadrados onde se pisa somente com o pé esquerdo ou direito;
Utilize agora três marcações antes da linha de salto, sendo que os alunos deverão saltar três vezes antes de atingir a maior distância possível; Definir os três saltos: direita, direita, esquerda ou esquerda, esquerda e direita para conscientização da dificuldade de execução em equilíbrio do salto triplo.

Aula 4 - Salto em altura e salto com vara. Vale novamente a ideia de permitir aos alunos que reconheçam as dificuldades de executar o salto na maior altura possível sem uma corrida de aceleração. Após, apresente as diferentes maneiras de transpor a corda/barra: "tesoura", rolo ventral e apenas cite que a atual maneira mais eficiente de saltar em altura, o "Fosbury Flop", precisa de segurança e colchões mais adequados para absorver o impacto. No salto com vara, consiga alguns bambus ou mesmo cabos de vassoura, propondo aos alunos inicialmente transpor algumas distâncias, acrescentando obstáculos como cones ou bancos para que passem por cima.

Exemplos de atividades:
Brincar com a corda, permitindo que todos passem por ela em determinada altura, elevando gradualmente (vale a dica de manter a corda na diagonal, com uma ponta mais alta que a outra, oferecendo mais chances de transpô-la a todos); Pedir que todos ultrapassem a corda executando uma "tesoura"; Pedir que todos ultrapassem executando o rolo ventral (para a última parte, seria adequado posicionar colchonetes do outro lado da corda ou executar os saltos na areia para que eventuais quedas sejam amortecidas); Com uso de bambus ou cabos de vassoura, partir de um apoio da vara no solo e tentar cair dentro do bambolê ou círculo desenhado no chão, atravessar determinada distância, passar por cima de obstáculos, passar por cima da corda.

Aula 5 - Atividade de fixação ou avaliação: Uma visita a uma pista de atletismo, exibição de vídeos de saltos, roteiro de questões a serem respondidas, elaboração de quadro comparativo entre as provas de saltos estudadas etc. A ideia é estimular no aluno a tomada de consciência do que foi realizado: fui capaz de salter em diferentes situações, avaliando meus próprios limites e potencialidades, e conheço a organização do esporte competitivo.

Tem muita chiadeira por parte dos alunos durante um período de estudo nestas modalidades (na grande maioria das vezes, reclamam que não tem bola!). No entanto, quando eles se percebem detentores de conhecimento a respeito das provas, ficam contentes e não perdem tempo em nos contar quando assistem alguma das provas na televisão ou escutam falar a respeito. Isto sempre é gratificante!!! A série continua com os lançamentos e arremessos no próximo post. Abraços a todos!!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Atletismo - a pedagogia em cada prova I


Toda criança corre, salta, lança e arremessa mesmo sem ser na aula de Educação Física. O lema, desde o surgimento dos Jogos Olímpicos, sempre foi "mais rápido, mais alto, mais forte" e as crianças adoram desafios!

Então vamos unir o interessante ao trivial! Com certeza, o Atletismo deve estar presente na maioria das aulas de Educação Física da escola. Ledo engano. Mesmo com toda essa bagagem motora, poucas crianças tem contato com um estudo organizado das provas de corrida, salto, lançamento e arremesso durante os anos escolares. Justificativas surgem aos montes (como surgem corredores africanos de longas distâncias): falta de espaço, falta de material, falta de tempo... Só não falam da falta de vontade do docente!

Com um grupo de 4 ou 5 aulas é possível tratar bem do tema e apresentar ao aluno um tipo de esporte em que ele pode encontrar outros tipos de limite para sua própria experiência de movimento:

Corridas

Aula 1 - Introdução histórica das provas de Corrida e sua origem na sobrevivência do homem; A divisão das provas entre corridas rasas, meio-fundo, fundo, com barreiras e obstáculos e marcha.

Exemplos de atividades:
Trazer imagens de atletas realizando as provas de atletismo e pessoas normais em tarefas comuns semelhantes aos esportes (como alguém caçando com uma lança e um atleta de lançamento de dardo), pedindo que os alunos comparem e encontrem semelhanças e diferenças.

Aula 2 - Experiências diversas para correr: jogos de pegar, provas de estafeta, atividades com obstáculos, percursos variados, corridas por equipe.

Exemplos de atividades:
Pega-ajuda, Pega-corrente, Pega-gelo, Estafetas de correr e voltar para que o próximo colega da fila continue (uso de obstáculos e mudança na distância percorrida).

Aula 3 - Corridas rasas e de meio fundo (corridas de velocidade): A saída utilizando o bloco de partida (improvisado com dois cones, por exemplo); Os sinais para a largada ("Em suas marcas", "Preparar", "Já!"); O deslocamento na raia; Desenvolvendo velocidade em trechos curvos e retilíneos.

Exemplos de atividades:
Correr a quadra toda sem invadir a raia do colega, Correr com uma fita de papel/jornal amarrada na cintura e desenvolver velocidade para que a fita fique paralela ao chão.

Aula 4 - Corridas de fundo (corridas de resistência) e revezamento: O ritmo de corrida em percursos mais longos; O escalonamento das posições de largada; O uso do bastão no revezamento; A passagem do bastão em movimento.

Exemplos de atividades:
Corrida de estafeta com aumento progressivo do número de voltas a serem dadas, Divisão de equipes com 4 corredores para se deslocarem até o próximo colega e ficarem no lugar, Usar cabos de madeira cortados e pintados ou tubos de papelão como bastão do revezamento.

Aula 5 - Atividade de fixação ou avaliação: Uma visita a uma pista de atletismo, exibição de vídeos de corridas, roteiro de questões a serem respondidas, elaboração de quadro comparativo entre as provas de corrida estudadas etc. A ideia é estimular no aluno a tomada de consciência do que foi realizado: fui capaz de correr em diferentes situações, avaliando meus próprios limites e potencialidades, e conheço a organização do esporte competitivo.

Na semana que vem, continuo com as provas de salto. Abraços a todos!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Falemos de ginástica

O retorno do recesso acontece em sala de aula nessa sexta-feira, porque na quinta não trabalho.

Volto ao ambiente escolar para continuar o trabalho junto às quintas séries e sextas séries A, B, C e D do La Fortezza (parênteses: por que usamos artigos masculinos para nos referirmos ÀS ESCOLAS? Mais uma da cultura escolar...). O terceiro bimestre tem uma característica bem interessante nesses primeiros anos do fundamental II: o estudo da ginástica em suas diferentes manifestações.

Alguns alunos acham bobeira, alguns acham chatice e uma minoria sente interesse. Espero causar algumas mudanças nesse comportamento, porque eu já fui assim também. Fui assim até estudar e compreender que a ginástica nada mais é do que uma forma de expressar pelo movimento aquilo que sentimos, queremos e podemos. Não há limites na ginástica: tudo é possível no espaço, no tempo, no ritmo, nos aparelhos, nos exercícios, no tema.

Tudo vira uma grande brincadeira. Aliás, queria que a aula sempre fosse encarada como uma brincadeira "séria", como todo jogo deve ser. Mas já começa errado quando eles não me levam a sério... Sigo aberto ao que vem por aí! Tomei minha injeção de motivação semestral com essa semaninhas de pausa.

As intenções dos trabalhos:
5ª série - aplicar os conceitos da Ginástica Artística relacionados às brincadeiras e construindo uma revista informativa com registros das aulas e pesquisas sobre a modalidade.

6ª série - rever os conceitos da Ginástica Artística, conhecer a estruturação e aparelhos da Ginástica Rítmica (bem como possíveis adaptação de material) e vivenciar diferentes possibilidades na Ginástica Geral. Valendo-se de todas as vivências realizadas, construir uma apresentação de GG em grupos.

Será que vai dar certo? Aceito sugestões e comentários, aliás, são sempre muito bem vindos. Abraços a todos!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Prezando ambientes

Estive fora por uma semana em viagem: o destino foi o Ceará. Belas praias, lindas paisagens, um clima tropical, mas suavizado pela brisa constante que preenche todo o território e é muito bem aproveitado na geração de energia elétrica (através de geradores eólicos, uns ventiladores gigantes colocados no meio das dunas de areia próximas ao litoral). De lá, trouxe boas lembranças, um tom a mais de bronzeado (diferente da nuca, braços e canelas já castigados o ano todo pelo sol na quadra) e experiência de conviver por alguns dias numa outra esfera cultural bem diversa da habitual.

A região nordeste realmente é quase outro país... Se percebe na fala, na maneira de pensar, de vestir, em tudo. E lá, como sempre acontece ao chegar em lugares desconhecidos, você é o estranho pois não fala, pensa e age como o restante. Paulista desde sempre (sem renegar a herança mineira muito apreciada!), a gente realmente estranha certos fatos e se surpreende com a maioria.

Enfim, terei o que lembrar por muito tempo.

Mas a realidade está aí. Me culpei ao retornar quando percebi que outubro já está terminando e quase não comecei o 4° bimestre em seus novos temas. Para variar, o que vejo da proposta curricular não me satisfez, inclusive nem chegaram os benditos dos cadernos desses últimos dois meses de aula. Erro ao pisar fora da linha e engrenar a segunda?

Erraria se não estivesse indo de encontro às ideias e intenções que construo junto com meus alunos. Já fizemos as opções que estavam em aberto, já identifiquei o que existe de lacunas para ligar informações e conhecimentos e retomarei o trabalho para garantir que, ao final do ano, eu tenha a satisfação de encontrar alunos que experimentaram a sensação de saber pensar e fazer diferente do que sempre fizeram.

Ahh, mas e a indiferença deles nesse processo? Que eu não desanime perante negativas nem me deixe abalar por alguns desmerecedores de ensino. Vou realizar pelos meus ALUNOS e não me desmotivarei pelos que preferem não o ser. Abraços a todos!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Reflexões ansiosas

Faltando poucos dias para eu realmente entrar em exercício na minha profissão professor, venho pensando e organizando alguns materiais que possuo, acúmulos da graduação, vendo aquilo que realmente me servirá daqui pra frente e o que poderei descartar, sendo apenas mais uma boa quantidade de matéria prima vegetal destinada à reciclagem.

Essa reorganização do meu acervo pessoal foi quase um báu de memórias aberto. Encontrei textos de disciplinas que eu já nem me lembrava que havia cursado, alguns deles muito bons, inclusive. Outros eu não pensei duas vezes em amontoar na pilha de inutilidades. Até lembrei de algumas aulas, após ver anotações e comentários para reler alguns trechos. Ah sim, também vi rabiscos de impaciência desenhados nas margens dos textos, símbolos daquilo que eu pensava não ter qualquer importância naquele momento.

E mesmo algumas das coisas que eu pensava serem inúteis, hoje entendo como fundamentais. As aulas de Saúde Coletiva, uma completa desorganização de professores convidados que nos apresentou a alguns conceitos básicos, textos de História da Educação Física, os primórdios dos modelos de ginástica importados da Europa, referências que me indicaram até as fontes para alguns trechos do meu TCC... Nutrição, os conceitos de obesidade e desnutrição, informações importantes que a grande maioria dos planejamentos em Educação Física desconsideram totalmente.

É pensando nessa infinidade de assuntos que venho tentando compôr um modelo de planejamento que dê conta da enormidade de temas relacionados ao corpo, ser humano e saúde. Não seria presunçoso em afirmar que pertencem à disciplina Educação Física, mas penso que dentro da escola, no atual panorama da educação, não há espaço mais adequado para tratar destes assuntos. Pensando nessa mudança de conceitos é que venho construindo minha metodologia.

Crítico-superadora, crítico-emancipatória, desenvolvimentista, concepções abertas... Tentei ver o que conseguia de melhor dos ótimos trabalhos de cada um dos autores que elaboraram estas concepções. Uma Educação Física que proporcione ao aluno emancipar-se, tornar-se capaz de entender e promover transformações sociais, facilite o desenvolvimento e aprimoramento em alguns aspectos físicos, ofereça ao aluno oportunidades sugerir conteúdos que ele domine ou tenha interesse, mas que, principalmente, contribua para transformar o indivíduo dela participante em alguém diferente do que era antes.

Ainda não sei dizer o que encontrarei quando realmente começar, mas as boas idéias e a vontade de fazer tudo são imensas, mesmo conhecendo a realidade do magistério na rede pública através de minha mãe, professora de Biologia e Ciências há quase 25 anos, próxima da aposentadoria.
Até a próxima.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...