sábado, 12 de fevereiro de 2011

Todos juntos no jogo


O título parece algum tipo de demagogia barata, mas é da mesma série dos outros dois posts anteriores (links: Como deve ser um bate bola recreativo? e O adulto quer brincar e jogar!).

Não deixa de ser relevante comentar que estas observações a respeito do meu trabalho no SESC são possíveis justamente porque é nesta instituição que as atividades acontecem. É óbvio que, caso fossem aplicadas em um ambiente diferente, construído por valores e missões diferentes, tudo mudaria radicalmente e este ideal em que me basearei no texto, deixaria de existir.

Vamos ao que interessa. Não fazem duas semanas, um aluno novo de uma das aulas de esporte que ministro parecia de certa forma incomodado em alguns exercícios. Em uma ocasião, alegou estar sentindo dores na mão e preferiu ficar de fora da última parte, quando é comum dividirmos equipes para um jogo. Me aproximei para saber se estava tudo bem, descobri que o problema nunca tinha sido a mão e sim a má recepção de alguns alunos mais antigos na turma, que reclamavam do desempenho do "novato".

Aproveitei a deixa e reforcei junto ao grupo no fim da aula que era importante cultivarmos um ambiente agradável, onde todos se sentissem bem para aprender. Ainda deixei claro que a ajuda de quem tinha mais experiência nas aulas seria muito legal para os que estavam chegando.

Uma semana depois, a aula termina e vejo o mesmo aluno de antes saindo sorridente. Pergunto:
- E aí? Como está o ambiente agora?
- Mudou 100%, ótimo! (segue um cumprimento daqueles modernosos, com tapinha e soquinho)

Nesta turma, adultos jovens, solteiros, casados, quarentões, adolescentes, brancos, negros, homens, mulheres... Sem grande pressão, conseguiram uma situação de bom entendimento perante as diferenças, onde as críticas e reclamações deram lugar ao incentivo e orientação.

Fico feliz por ver o que posso ajudar a transformar com meu trabalho. Abraços a todos!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O adulto quer brincar e jogar!


Da mesma série do post anterior, sobre minhas observações de trabalho no SESC.

Na unidade em que trabalho, são oferecidas aulas de esporte para adultos. Uma vez que a demanda em participar dessas atividades é grande, fica fácil definir que o adulto ainda sente aquela mesma necessidade da criança em estar jogando, de ingressar em uma atividade de jogo/brincadeira.

Isto ocorre mesmo havendo espaços como os citados na semana passada, os horários de recreação. As aulas de esporte são uma alternativa considerada ideal por alguns motivos: o grupo fixo de pessoas, o alinhamento de expectativas quanto ao nível de exigência de desempenho na aula e um espaço fixo no qual sempre se terá espaço para jogar.

Assim, dentre as divisões e turmas existentes (nas modalidades e no nível de jogo), cada um procura o que mais lhe agrada e busca um espaço para praticar seu esporte favorito. Não preciso dizer que os dias mais esperados são as aulas sem exercícios ou atividades, nas quais as equipes são divididas e eles apenas jogam entre si, sempre com um caráter descontraído, uma brincadeira de adultos muito sadia (em todos os aspectos).

No fim, eis que o Serviço Social cumpre com diversas funções e a gente dá valor em uma instituição como o SESC (e eu elogio também porque é quem paga a maioria das minhas contas atualmente!! Vai que algum gerente ou conselheiro tropeça por aqui e me surpreende descendo a lenha??).

Abraços a todos!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Como deve ser um bate bola recreativo?


Faz parte das atividades oferecidas pelas unidades do SESC os horários de recreação esportiva. Cada modalidade possui um horário específico e os matriculados que desejarem jogar devem aparecer para que as equipes sejam formadas. As modalidades variam, mas estão sempre presentes o futebol, o vôlei e o basquete. Até aqui, tudo muito simples, basta saber os horários, levantar do sofá e ir feliz para jogar seu esporte favorito nas quadras do SESC mais próximo!

O problema é como organizar essas inúmeras partidas entre os interessados. É natural que o cara, vivendo em um mundo onde os melhores progridem e assistindo esporte de competição na TV durante a semana toda, chegue com a intenção de jogar para vencer, pensando que assim jogará mais, por jogar melhor e ser superior ao adversário.

Já para o SESC "... a atividade física tem outra característica importante: favorecer a sociabilidade, ensinando o trabalho em equipe e facilitando o relacionamento das pessoas na busca de objetivos comuns." (fonte: Site do SESC SP). Aqui surge um confronto de valores interessante: enquanto o matriculado chega com a intenção de jogar para ganhar e jogar mais, o responsável pelo espaço deve manter um ambiente no qual as oportunidades sejam iguais e se valorize o jogo pelo jogo.

Já observei fórmulas que deram certo, como a recreação de handebol, na qual uma equipe permanece em quadra por dois jogos de dez minutos e cede a vez para os próximos jogadores. Sem contagem de placar, sem brigas ou discussões de regras. Vale o espírito de competir dentro do jogo e apenas por ele. Por outro lado, existe a fórmula atual da recreação de vôlei, na qual a equipe pode permanecer em quadra por até quatro jogos, desde que saia vitoriosa em todos. Se pensarmos em um período de recreação de um hora e meia (90 minutos) e estipularmos a duração de um set de 15 pontos em aproximadamente 12 minutos, significa que uma equipe só utilizou-se do espaço por 48 minutos ininterruptos!! É mais da metade do tempo disponível!!

O que é justo? O que é correto? O que deve ser levado em conta? Sou a favor da ideia dos jogos, onde se joga contra dois adversários e espera pela próxima oportunidade. Sou a favor também da utilização da listagem de nomes, pela qual não acontece de times formados previamente entre conhecidos - "panelas" - permanecerem juntos o tempo todo.

Como já abordei em post anterior (veja Podia terminar só nisso...), seria muito mais fácil se todos entendessem o prazer em jogar pelo jogo, em esforçar-se pelo objetivo sem a intenção de superar ou mostrar-se melhor. Vale o envolvimento em cada ação para obter satisfação plena. Abraços a todos!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Retrospectiva 2010 - partes III e IV


O ano como professor de esportes em escola particular: Uma proposta que caiu do céu, no meu colo, e lá estava eu pronto para conduzir duas turmas de futsal no Colégio Ave Maria, em Campinas. A principal diferença era o diálogo com os alunos, sem necessidade de tanta rigidez ou repressão, pois estes ainda contam com famílias construídas naturalmente e presentes, resultados de uma melhor condição financeira.

A experiência com os pequenos (4-6 anos) foi rica para entender do universo infantil e como eles se relacionam com o esporte e em atividade, egocentrismo latente... Também deixarão saudades, pois era um espaço de muito potencial.

Os meses (!!!) como instrutor do SESC: Tempo curto, o suficiente para mostrar que valeram a pena toda a jornada e a mudança para São Paulo para ser instrutor de atividades físicas na unidade Vila Mariana, perto do centro da cidade. O trabalho generalista que integra atividade física, esporte e lazer, sem falar na sociabilização, é gostoso e gratificante. Um certo estranhamento ao trabalhar com adultos, público novo, encarado somente nas arbitragens e no estágio do próprio SESC, mas que foi rapidamente superado. A educação e o empenho de sempre abrem todas as portas. Mesmo nas temidas aulas de Vôlei Adulto, eu acredito que tudo pode correr bem ao longo do ano. Só espero que em 2012 consiga turmas de esporte infantil (pelo sonho da implantação do Esporte Criança) e também aulas de natação, como é gostoso trabalhar na piscina!

Pessoalmente, 2010 foi um ano de amadurecimento em todos os campos. Trabalhei mais, expandi meus horizontes, concluí meu bacharelado na Unicamp, diversifiquei minhas atividades e atingi outros tipos de público. Sem falar no namoro, na família, nas perdas (que saudade do meu veículo automotor), nas viagens, conquistas... Só agradeço a Deus por tudo que venho sendo capaz de conquistar! Abraços a todos, um ótimo ano e até a próxima!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Retrospectiva 2010 - parte II

O ano como professor social: Do bom desempenho em um processo seletivo, fui selecionado para assumir o cargo de Professor Social II - Educação Física junto à Prefeitura de Sumaré. Confesso que não fazia ideia das funções que desempenharia até realmente estar trabalhando.

E não foi difícil entender a natureza do cargo e o caráter essencialmente social atribuído a qualquer profissional envolvido com as atividades do PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). As crianças que frequentam o programa estão expostas diariamente a uma realidade que não condiz com o tempo da infância, onde fala-se sobre algumas coisas antes da hora, fala-se muito de assuntos que deveriam passar bem longe delas e fala-se pouco do que realmente interessa: o desenvolvimento sadio destes pequenos seres.

Das dificuldades sociais, financeiras, cognitivas e fisiológicas, vem o amadurecimento de conceitos e vontades de transformação. Com uma rotina recheada de violência e desrregramento, fui aos poucos mostrando que é possível gostar sem agradar sempre, assim como nem sempre as contrariedades precisam terminar em conflito. O estranhamento inicial da criança desacostumada de carinho e atenção criou vínculos e hoje sinto falta de vê-los e poder passar tardes inteiras nas trocas de turmas, mesmo quando davam muito trabalho.

Lá, fiz amigos e pude vivenciar, mesmo por poucos meses, a esfera municipal do serviço público. Uma pena tal iniciativa ocorrer de maneira tão precária, sem uma sede própria, materiais mínimos e profissionais adequadamente qualificados. Das várias aulas no campo (que era mais um terreno limpo), embaixo de sol e calor, das caminhadas até a praça esportiva, dos passeios em ônibus lotados, fica a saudade. As crianças precisam de nós lá e, se não ambicionasse desde sempre o SESC, lá ainda estaria, em detrimento da escola.

Mas ficou o meu "até logo" de quem pretende vê-los de vez em quando...


Vem aí as partes III e IV da minha retrospectiva. Abraços a todos!

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