Sei que fiquei ausente por mais de um mês do blog, nada de novidades, mas tudo tem motivo.
Recorri a este mês para conseguir finalizar o texto de meu trabalho de conclusão de curso (TCC) para o título de Especialista em Educação Física Escolar, cujo tema foi o handebol, exigindo uma boa dedicação. Além disso, também realizei outros dois cursos à distância: Aula Interativa e Informação e Opinião na Contemporaneidade.
Muito legal a experiência de continuar me aprimorando através da internet, mas o compromisso foi grande e achei que não fosse dar conta! Felizmente, tudo terminou bem e hoje enviei a última versão do texto!
Logo postarei a tradicional série de retrospectiva anual de minha atuação profissional. Em 2013, esperemos por novidades.
Sei que essa série estava encerrada, mas só estou retornando para fazer algumas reflexões a respeito do que vi na minha escola durante II Semana Cultural - Cidadania e Tecnologia!
Pessoalmente, não confiava que a proposta fosse envolver os alunos, uma vez que conciliava um tema geral, além de uma divisão das turmas entre os estados brasileiros. A confusão de conteúdos a serem organizados e apresentados era uma preocupação que não se confirmou. Obviamente, foi necessário um esforço no sentido de delimitar grupos de trabalho para cada uma das expressões artísticas - dança típica do estado, dança livre, show de talentos, paródia musical e teatro -, com uma prévia das atividades em grupo e escolha voluntária entre as opções de participação.
Sempre há aqueles que não se identificam com nada e preferem ficar alheios ao processo, mas a participação na construção inicial torna todos minimamente hábeis a respeito das temáticas e capazes de auxiliar quando um participante se ausentasse, por exemplo.
Foi gratificante observar o desempenho da sala na qual sou professor representante. A participação foi qualitativa em todos os quesitos, ainda que eu só tivesse duas aulas por semana para os ensaios e conversas. Curiosamente, esta mesma sala abriga problemas de aprendizagem e indisciplina diversos, complicando o ambiente de sala de aula cotidianamente. Nesta semana que se passou, vi uma outra turma.
Nem preciso argumentar mais a favor desses eventos artísticos-culturais. Para o próximo ano, já pensamos em oferecer mais alternativas que incrementem as apresentações, além de gerar expectativas benéficas. Vale a pena apostar as fichas em algo diferente, desde que todos participem com afinco!
Acumulou entrega de trechos do TCC, atividades de outros cursos e depois o feriado. Só não dá pra deixar a série sem um ponto final adequado!
O exercício de pensar em possibilidades para chegar a um jogo melhor e mais organizado trouxe novas ideias, mas não pode estar distante de referências e estudos relacionados. Também teremos um pouco disso nesses instantes finais, incluindo algumas impressões que compartilho na iniciação esportiva.
Como recurso durante o jogo, sim. Como regra formar "barreira", não!
É comum observar o ensino do handebol nas escolas com uma orientação clara: o time perde a bola e deve voltar para formar uma barreira, uma aproximação do sistema 1-6-0 (um goleiro, seis defensores em linha. Para mais sobre organização tática em esportes coletivos, clique aqui). Discordo desse comportamento de "barreira", afinal a decisão de defender desta ou daquela maneira é própria do jogador e sua formação deve atender a necessidade de desenvolver essa percepção. Durante minha formação e em outros estudos, algo que ficou é a preocupação de ensinar a defender nos primeiros anos de prática esportiva. Para definir as formas e meios de defender, vale lembrar os princípios operacionais do esporte coletivo como norte. Novamente, a série sobre Estudo dos Esportes Coletivos vale a consulta!
Como em qualquer esporte coletivo, a defesa pode ser feita de maneira individual e por zona. Na defesa individual, cada defensor é responsável por acompanhar um atacante. Na defesa por zona, cada defensor é responsável por um setor da quadra defensiva, devendo exercer marcação sobre os atacantes que permaneçam em sua zona de atuação. Marcar individualmente é um exercício de responsabilidade intenso, exige tomadas de decisão constantes em relação ao adversário, mas o desgaste físico é alto. Marcar por zona permite um maior controle do espaço, incute o retorno defensivo, porém precisa de uma base sólida no comportamento defensivo para não termos aquelas "barreiras", inconcebíveis na atual conjuntura esportiva. As opções de defesa por zona são 6:0, 5:1, 3:3, 4:2, opções feitas pela própria equipe, além de organizações que combinam zona e individual.
No ataque, especializar nessa etapa do ensino do handebol não tem validade. Cabe estimular diferentes papéis (sejam eles as posições ponta, armador e pivô) para desenvolver capacidades e tornar o aluno conhecedor de todas as situações ofensivas possíveis. Conforme o aprofundamento e amadurecimento das ideias (permitindo um jogo mais elaborado do ponto de vista tático), lá pelo 13 ou 14 anos, aí podemos apresentar sistemas ofensivos: 3:3, 4:2, 5:1, 6:0 (novamente, a primeira linha sendo a mais próxima da defesa, assim, o sistema ofensivo 3:3 tem 3 jogadores na primeira linha de ataque, armadores, e outros 3 na segunda linha, sendo dois pontas e um pivô).
Referências
Pedagogia do Handebol - site desenvolvido pelo Prof. Lucas Leonardo com muitos artigos que discutem o aprendizado, ensino e desenvolvimento da modalidade sob a perspectiva de uma formação completa e embasada em estudos acadêmicos e práticos. Vale uma consulta aprofundada e perder algum tempo nas interessantes leituras!
KROGER, Christian; ROTH, Klaus – Escola da Bola - 1. ed. São Paulo: Phorte, 1999
REVERDITTO, Riller Silva, SCAGLIA, Alcides José. Pedagogia do Esporte: Jogos Coletivos de Invasão. São Paulo: Phorte, 2009.
Normalmente, o conhecimento sobre o handebol apresentado pelos alunos do Ensino Fundamental é muito superficial. Para quem jamais teve a oportunidade de jogar ou mesmo assistir uma partida, saber que nele usamos as mãos em detrimento dos pés, por exemplo, não é suficiente para que consigamos apreender toda a dinâmica de possibilidades permitida por essa modalidade.
No handebol, a situação de drible é menos usual pelo tamanho e característica da bola. A maior ocorrência dentre os movimentos de jogo recai sobre o passe. No entanto, este é feito de forma objetiva, ofensiva e buscando a melhor oportunidade de finalizar em gol. Para tanto, combinamos os passes com o número de passos permitido quando de posse da bola.
Tenho a bola, e agora? Melhor continuar me mexendo!
O chamado RITMO TRIFÁSICO difere do basquete na contagem de passos: enquanto o jogador de basquete pode movimentar um dos pés livremente se mantiver o outro no lugar, o jogador de handebol deve estar consciente de que qualquer mobilidade além do permitido será penalizada. Da mesma forma, precisa garantir que seus três passos sejam bem utilizados taticamente. Ainda, é possível o DUPLO RITMO TRIFÁSICO: o jogador recebe a bola, executa os três passos, dribla e realiza mais três deslocamentos de posse da bola.
Não existe uma forma correta ou uma ordem a ser aprendida de executar o ritmo trifásico, assim, estimula-se o jogador para que se desloque com qualidade e objetividade nas suas ações em jogo. A questão: como? Vejamos algumas possibilidades... Ah, sim, isso tudo pensado para um jogo mais organizado também!
Aula 4 - Ritmo Trifásico e Organização Tática
- Apropriação das regras de deslocamento: proponha o jogo livre, sem qualquer intervenção prévia sobre regras, cobrando apenas o respeito ao espaço da área dos goleiros e a saída da bola nos limites da quadra.
Cabe ao professor a observação de situações nas quais possa colocar os alunos para refletir sobre a organização do jogo e incentivar a proposição de novas regras: alguém está ficando mais com a bola do que os outros? Vocês acham justo que um jogador possa andar a quadra toda de posse da bola? Permanecer tanto tempo com a bola não é arriscado em algum momento?
- Alerta ao Ataque: o grupo é dividido em duas equipes iguais, os jogadores numerados de forma a fazerem par com um adversário. O início do jogo se dá com um jogador com a bola no centro da quadra e cada equipe posicionada em meio círculo. Ao lançar a bola ao alto, o jogador dirá um dos números correspondente a um adversário. Este deverá buscar recepcionar a bola, ao mesmo tempo que grita ALERTA!
Enquanto a bola viaja, os adversários deverão se posicionar defensivamente para proteger o cone colocado dentro da área do goleiro. A equipe que ficará com a bola também poderá se mexer, mas todos deverão permanecer no lugar após o grito de ALERTA! A partir do recebimento da bola por parte do jogador correspondente ao número chamado, ele poderá executar três passos e passá-la a um companheiro ou arremessá-la em direção ao cone, se assim entender conveniente. A defesa pode movimentar a parte superior do corpo sem modificar sua posição na quadra, tentando bloquear passes e arremessos.
Variações: maior número de cones; cones em lugares variados da quadra; arremessar em gol; os dois jogadores de mesmo número disputam a posse da bola.
- Bola ao Pivô: duas equipes, sendo que um jogador ficará dentro da área adversária como pivô. Ao possuir a bola, a equipe deve passá-la até o pivô para marcar um ponto.
Variações: pivô não pode se deslocar; pivô se movimentando dentro da área; maior número de pivôs; restrição de passos com a bola na mão; maior número de bolas em jogo; um pivô de cada equipe dentro de cada área.
Encerro a série na próxima semana com algumas referências para maior aprofundamento. E já será outubro, o que trazer para conversar aqui no LUDocência? Abraços a todos e até a próxima!
Acho que a missão vai ser difícil, posicionamento é tudo!
Boas! Acompanho sempre os acessos ao blog pelo Feedjit.live e tem muita gente que busca termos como "quadra de handebol", "posicionamento dos jogadores de handebol", dentre outras possibilidades semelhantes. Imagino que sejam estudantes querendo estas informações, talvez incentivados pelos seus professores de Educação Física. Mas em que saber as medidas da quadra ou nomes das posições vão ajudar no desenvolvimento de uma prática melhor?
O movimento deveria estar direcionado para aprender a jogar e reter informações como essas são um pano de fundo para outros momentos, jamais deveriam ser uma justificativa para atribuir nota ou servirem como trabalho para quem estuda a modalidade. Atribuo importância ao conhecimento da origem social e histórica de cada esporte, pois sua compreensão permite ir além na prática, mas cobrar minúcias no ensino do esporte é bobagem!
Hoje vamos aos gols! Jogo cheio de tentos para todos os lados e com tantas possibilidades, já que as mãos executam movimentos diversos, vamos estimular o arremesso e também incentivar o mais ingrato dos jogadores, o goleiro!
Aula 3 - Arremessos em gol e o goleiro
A princípio, os arremessos podem ser executados de três maneiras:
Apoiado
Suspensão
Queda
Mas a criatividade... ahh, deixe sempre o cara livre para inventar!
Bom, mas falando de atividades para trabalhar arremesso, tudo fica na base de jogos. A motivação será outra se comparada a uma atividade de estafeta em que os alunos esperam pela sua vez e arremessam em gol.
- Videogame: para facilitar os ajustes, use meia quadra para cada equipe (duas equipes). O jogo consiste na passagem da bola entre os jogadores, chegando ao próximo posicionado perto da linha de sete metros, o qual deverá acertar o alvo da vez.
A bola sai da ponta esquerda, sendo passada de jogador em jogador até chegar no arremessador, que segue a seguinte sequência:
1. Cone da esquerda
2. Cone do centro
3. Cone da direita
4. Cone no centro do gol
5. Cone ao lado da trave esquerda
6. Cone ao lado da trave direita
Cada tentativa é válida somente se for executada na ordem correta. Caso o arremesso falhe, o arremessador recupera a bola e passa para o jogador localizado na ponta esquerda. Todos executam um rodízio em direção ao passe. Vence quem cumprir todas as etapas.
Variações: Usar duas bolas para acelerar o passe e arremesso; Incluir outros alvos (arcos, caixas, coletes pendurados na trave); incluir obstáculos para driblar antes de passar a bola; cone deitado exigindo um salto por cima do mesmo, executando arremesso em suspensão; colchões para fazer o arremesso em queda; usar outro espaço para incluir maior número de equipes.
Para o sofrido goleiro, vamos incluir um exercício que estimula o uso de pés e mãos na interceptação da bola
- Barreira: cada equipe divide-se em três linhas, sejam elas uma linha de goleiros, uma linha de meio e uma linha de ataque. A linha de defesa se desloca sobre a linha da área, a linha de meio sobre a linha de 3 metros do voleibol (por exemplo) e a linha de ataque na linha de funda da quadra de voleibol.
Observação: a ocupação das linhas pode variar de acordo com o tamanho da quadra, para criar outras distâncias, basta desenhar com giz.
O objetivo é marcar gols do lado oposto e impedir a marcação de gols adversários. Para tanto, a interceptação da bola pela defesa poderá valer-se do corpo todo, com restrição de deslocamento entre as linhas de cada barreira. Caso a bola permaneça em uma região neutra, um jogador da defesa tem preferência em recuperar a bola e passá-la, desde que o faça na linha a que pertence. No caso de gols, as barreiras devem trocar de lugar, no sentido defesa --> ataque.
Variações: permitir todo tipo de passe; passes quicando no chão; a bola passa por todos de cada barreira antes de ir ao ataque; as linhas de ataque também podem jogar nas linhas laterais; os arremessos devem ser apoiados; os arremessos devem ser em suspensão etc.
Guardei a questão do ritmo trifásico para a última postagem de atividades. Vamos construir essa regra importante junto com os alunos para evitar aquela situação de vê-los contando UM, DOIS, TRÊS durante o jogo... Também vamos falar um pouco da tática no jogo e como ensinar.
Abraços a todos e bom final de semana, até a próxima!