sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Prezando ambientes

Estive fora por uma semana em viagem: o destino foi o Ceará. Belas praias, lindas paisagens, um clima tropical, mas suavizado pela brisa constante que preenche todo o território e é muito bem aproveitado na geração de energia elétrica (através de geradores eólicos, uns ventiladores gigantes colocados no meio das dunas de areia próximas ao litoral). De lá, trouxe boas lembranças, um tom a mais de bronzeado (diferente da nuca, braços e canelas já castigados o ano todo pelo sol na quadra) e experiência de conviver por alguns dias numa outra esfera cultural bem diversa da habitual.

A região nordeste realmente é quase outro país... Se percebe na fala, na maneira de pensar, de vestir, em tudo. E lá, como sempre acontece ao chegar em lugares desconhecidos, você é o estranho pois não fala, pensa e age como o restante. Paulista desde sempre (sem renegar a herança mineira muito apreciada!), a gente realmente estranha certos fatos e se surpreende com a maioria.

Enfim, terei o que lembrar por muito tempo.

Mas a realidade está aí. Me culpei ao retornar quando percebi que outubro já está terminando e quase não comecei o 4° bimestre em seus novos temas. Para variar, o que vejo da proposta curricular não me satisfez, inclusive nem chegaram os benditos dos cadernos desses últimos dois meses de aula. Erro ao pisar fora da linha e engrenar a segunda?

Erraria se não estivesse indo de encontro às ideias e intenções que construo junto com meus alunos. Já fizemos as opções que estavam em aberto, já identifiquei o que existe de lacunas para ligar informações e conhecimentos e retomarei o trabalho para garantir que, ao final do ano, eu tenha a satisfação de encontrar alunos que experimentaram a sensação de saber pensar e fazer diferente do que sempre fizeram.

Ahh, mas e a indiferença deles nesse processo? Que eu não desanime perante negativas nem me deixe abalar por alguns desmerecedores de ensino. Vou realizar pelos meus ALUNOS e não me desmotivarei pelos que preferem não o ser. Abraços a todos!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Organização Participativa

Acho que este tema merecerá mais posts ao longo deste último e ressonante (que beleza!!) bimestre.

As oitavas séries sob minha ludocência organizarão dois eventos escolares: um festival de talentos e um campeonato interclasses. A ideia inicial era compartilhar os trabalhos entre componentes das duas turmas... E foi o que tentei fazer na quarta. Sem sucesso.

Aparentemente, as salas não se bicam desde sempre, para deixar claro. Então intervi e determinei que cada uma administrasse a construção de um dos eventos. Como a 8ªB estava mais organizada, deixei que ficassem com o campeonato. Consequentemente, a 8ª assumiu o festival e me pareceram bem empolgados com a ideia.

O que espero com essa ação é torná-los ativos no processo de elaboração e ressignificação da cultura de movimento, além de envolvê-los com responsabilidades. Aposto que o final, com tudo dando certo, os deixará orgulhosos!!

Primeiros passos, mais uma vez. O erro e o acerto convivem tão bem na minha LUDocência que acho que quero continuar errando pra sempre. O erro me torna consciente dos meus passos, enquanto os momentâneos acertos cada vez mais se mostram ilusões perante a realidade complexa que é lecionar na escola pública de periferia.

sábado, 3 de outubro de 2009

Residindo no medo

O título assusta? Inicialmente, talvez. Vou me justificar quanto ao uso de um termo popularmente negativo.

Estou participando de um curso muito interessante na EEFE-USP, aos sábados, ministrado pelo prof. Walter Correia. A turma é toda formada por professores de escola pública e o título não é algo tão comercial como se vê por aí: Educação Física Escolar - Acolhendo Dilemas e Soluções Docentes. Não tem fórmula mágica, não nos coloca a par das últimas novidades pedagógicas nem bate na mesma tecla de nos responsabilizar pela mudança na educação. Simplesmente, a proposta é dar voz a todas as angústias que surgem dentre os docentes.

E isso vem funcionando, como bem disse uma colega na manhã de hoje, é quase uma terapia de grupo! Participei da dinâmica inicial de hoje. A temática? MEDO. "Você tem medo de quê?"É difícil asssumirmos a relevância de considerarmos nossos medos cotidianos. Lembramos de medo de altura, medo de escuro, medo da violência... E o medo de não acertar no trabalho? E o medo de magoar alguém com nossas atitudes? E o medo de não corresponder às expectativas?

Luzes apagadas, silêncio para ouvir os relatos. Fui o último dos três primeiros e sintetizei em algumas palavras a imensidão de sentimentos que me invadiram desde fevereiro de 2008, meu início no magistério. Dei vazão ao grande medo que tenho e me senti melhor, falei de como tenho medo de ver a instituição ESCOLA fracassar, perder seu sentido e não ter mais valor perante uma sociedade renovada e veloz. Ao mesmo tempo, "cutucados" pelo professor, aproveitamos a perguntaa música dos Titãs - Comida: "Você tem fome de quê?". A minha fome se saciará ao ver essa escola prosperar por meio de professores, alunos, famílias e investimentos.

Taí, eu aceitei esse medo, falei sobre ele e não me parece mais tão assustador. Pensei na minha fome e agora fica claro que realmente é o que me motiva a estar todos os dias na escola.

Um medo que não é físico. Uma fome que também não é material... Como eu queria que cada um dos meus alunos encontrasse essas respostas, se não em si mesmos, pelo menos com a minha ajuda, ou de seus professores. Que seja... A diferença será feita onde existe algo faltando.

Abraços a todos. O quarto bimestre está prometendo!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A diferença que é igual

Hoje foi um grande dia: recebi a visita do meu grande amigo Thiago Alvarez, colega de FEF, para que ministrasse aulas sobre o Badminton junto às oitavas séries, no período da tarde.

Nos desencontros de primeira vez, aconteceram alguns imprevistos no trajeto, mas nada que não pudéssemos contornar. Com muita alegria, pude receber um profissional que, assim como eu, faz a diferença em sua atuação. Saio muito contente pela visita, pela oportunidade de conhecimentos que ele ofereceu às turmas e também por mais alguém que partilha de grande parte das minhas visões na nossa área estar por perto e ver um pouco do que faço. Espero que ele tenha tido uma boa impressão...

Outro ponto interessante foi observar como nossas maneiras de conduzir as coisas são parecidas e diferentes ao mesmo tempo. Dentro do plano das ideias, quase tudo o que fazemos diz respeito ao mesmo universo de discussões, leituras de textos e até elaboração de trabalhos, pois sempre estivemos muito próximos. Quanto à execução/ condução das situações, existem semelhanças claras no trato dos assuntos... Mas, dentro da escola, modestamente já me considero mais experiente e a vontade de acertar "abraçando o mundo" tem seus prejuízos na sequência pedagógica. E, obviamente, aqueles alunos que tiram a gente do sério em qualquer momento, eu já tiro de letra...

A metáfora é ideal: eu ainda estou aprendendo a dar aquele passo antes de tirar o outro pé do chão, já tentei correr muito e quando olhava para trás, só enxergava a poeira que eu mesmo levantava, ninguém me seguia...

De todo coração, desejo ao meu amigo "Talha" muito sucesso e espero que a experiência tenha enriquecido muito a sua jornada profissional, assim como a sua visita contribuiu imensamente para o meu trabalho e para o professor que eu ainda estou me tornando! Um grande abraço para você!

E os habituais abraços a todos!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Não deixe cair...

Vou seguir fiel ao compromisso de não deixar de postar. Já me desliguei de novo, o caso é que apareceram tantas outras coisas e os trajetos foram surgindo, esqueci de retornar ao meu espaço público de pensamentos sobre meu próprio trabalho.

Foi com alguma satisfação que decidi entrar de vez nos temas deste bimestre. Abandonei a frustração que vinha me acompanhando ao longo do semestre (apesar das boas expectativas, o trabalho com os anos finais do Fundamental mostrou-se mais penoso) e busquei forças onde eu realmente vejo resultados. Como falei anteriormente, não venho me arrependendo!!

Estou crente que um trabalho focado no interesse pelo conhecimento dá certo, comprovei na prática e ainda pude especular onde está o grande "pam" da educação: os alunos não são estimulados a pensar as coisas desenvolvendo relações entre elas!

Falando de beisebol nas oitavas séries, uma das questões que eu discutia era: "Dois dos países em que a modalidade é mais popular são ilhas. Quais são eles?". Em tempo, os países são Japão e Cuba.

Longe de mim querer me arriscar na Geografia, mas me orgulho dos conhecimentos que sempre aprimorei desde a disciplina Estudos Sociais na quarta série. Países, capitais, continentes, meridianos, trópicos, regiões e estados do Brasil... Agora, o que vemos é algo que torna-se totalmente abstrato aos alunos, pois eles não são capazes de retrucar instantaneamente em que continente se localiza este ou aquele país. Volto mais e me recordo da dificuldade de localizar os estados e regiões brasileiras quando tratamos das manifestações rítmicas...

Recorri ao mapa e confesso que saí vitorioso, pois levei aqueles que queriam saber como responder a encontrarem a resposta. Esses momentos levantam a minha moral, me ajudam a ter personalidade de professor, o professor que acompanha o aluno no processo de conhecer, interagir e modificar as informações com as quais ele tem contato na escola.

Por essas e outras, sinto falta daqueles famigerados chavões de multidisciplinaridade, transdisciplinaridade... Se essas coisas realmente existissem, eu acredito que daria para acreditar de verdade em ensino público de qualidade. Ahh, o futuro....
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