quarta-feira, 29 de julho de 2009

A espera prolonga-se e decisões são tomadas

Nesta terça-feira, o reinício das aulas nas escolas estaduais foi adiado para dia 17 de agosto (Fonte: Sec. Est. Educação). Assim, a escola só volta a funcionar completamente daqui 20 dias. Não sei até que ponto essa medida dará conta de evitar o alastramento da tal gripe perigosa, mas se os órgãos competentes analisaram e entenderam ser pertinente, que seja... Foi ótimo ganhar mais tempo, tenho muito para preparar ainda e o tempo sempre é escasso.

Tomei a decisão e não vou utilizar o material enviado pela educação de SP nas aulas: o Caderno do Aluno...


Não usarei! E peço que me acompanhem no raciocínio dessa decisão:
1 - Odeio pensar que estou amarrado em alguma coisa, a aprendizagem não funciona assim.
2 - Os materiais sempre chegam atrasados e no final do bimestre, esperar por eles é besteira.
3 - As atividades são simplórias, mal formuladas e totalmente fora da realidade dos alunos.

Estou errado?? Até para os alunos é algo que não faz sentido, veja este post num blog (um meio de comunicação que abre a possibilidade de se dizer o que se pensa). Quero ver o bambambam que vai me provar que sou obrigado a usar essas apostilinhas sem vergonha... Tenho certeza que meu dia-a-dia proporciona maior aprendizado que o "Caderno do Aluno" e suas atividades superficiais.

Quanta revolta!! Mas eu melhoro... Vou continuar preparando minhas coisas por aqui, abraços a todos!!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Pela continuidade

Ferve a vontade de continuar acrescentando ideias a este sítio... Na verdade, tanto me agrada a possibilidade de ter um lugar para ver as opiniões e reflexões se tornarem concretas, me entristece saber que consigo dedicar tão pouco tempo a ele.

Sentindo a falta deste espaço, acabei passando pelo novo período de docência sem tecer comentários mais profundos, sem deixar observações mais frequentes e perdendo muito do que poderia se tornar tema. Mas eu vou renovar a promessa aqui, agora, e voltarei mais vezes a partir desta postagem.

Embora não exista muito o que deixar aqui, por enquanto. Estamos em recesso escolar...

Uma pausa bem vinda e profícua, no sentido de permitir que eu reequacione os espaços e dinâmicas utilizadas, após meses de convivência semanal com meus alunos. Agora, eu os conheço e eles sabem quem eu sou nos momentos de professor. Superadas as apresentações, acredito que teremos mais condições de evoluir. Eu sinceramente conto com esta vontade, que existem bem grande dentro de mim, espero que na mesma intensidade deles.

Só o desânimo marcou uma de minhas últimas aulas, quando me preparei para usar a sala de computadores da escola e esta não se mostrou pronta para o que deveria ser trivial. Complicado é contar com certas maneiras diferenciadas e ter de ser resolver com giz, lousa e aquelas coisas do arco da velha.

Sem negar o seu valor, afinal eu sou fruto desta educação de quadros negros, mas acredito que temos competência hoje para fazer melhor e mais bem feito. E este blog vai de encontro com essa intenção, sempre... Quero que ele sempre se aproxime da realidade da escola, que ele se torne braço e espaço igual.

E registrando a chegada da Lousa Digital em minha escola. É chegada a hora de superar os conceitos, pelo menos com algumas turmas... Será fantástico promover o uso de tecnologias inovadoras!!!

Abraços aos leitores de sempre, espero contar com novos visitantes!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Inquietações da madrugada

Saudações!

Creio não estar errado quando me questiono todos os dias: qual a minha função? qual o papel da Educação Física na escola? O que os alunos esperam e o que podem conseguir com minhas aulas?

Nessa vida, nos valemos das perguntas que respondemos, ou simplesmente daquelas que nos fazem buscar a resposta, mesmo que ela não exista. Não tem um dia que eu não saia da escola pensando nisso... Aliás, recomendo a todos: se quiserem esclarecer ideias, pensamentos e desenvolver novas reflexões, comprem uma bicicleta e pedalem por aí, busquem trechos bem arborizados, sossegados e planos (pensar numa subida é exigir demais!!!). Eu adoro voltar para casa depois de um dia de trabalho, venho pedalando e repensando tudo o que aconteceu, os pequenos acertos e os vários erros. É das coisas que me tem feito mais bem, que delícia o vento no rosto, o deslizar na inércia do movimento... sem igual.

Nessas pedaladas, idas e vindas entre os caminhos tortuosos da Ludocência, vi que eu ando dedicando pouco tempo à prática das perguntas formuladas (ou talvez suas respostas). O planejar não vem sendo feito como deveria por mim, e confesso que hoje foi um destes dias... Em uma aula específica, me furtei de trabalhar o que havia pensado, na confusão de bolas, alunos, alunas e demais variáveis deste sistema. Noutra, apliquei o planejado, mas a contrariedade do grupo venceu minha insistência (a paciência tem limite) e fomos mais rápido ao jogo formal, técnico, modelado, formatado, previamente conhecido e sem qualquer interferência de minha parte no que se refere ao desenvolvimento de algo diferente.

Pra não ir tão longe e deixar abertura ás colocações dos amigos, observações: se a brincadeira conhecida e transformada não atrai os pequenos (na sua ânsia de jogar, estão precocemente querendo aquilo que os mais velhos desejam...) e o jogo construído não tem valor no aprendizado e recriação de uma maneira de entender o esporte perante os maiores, qual(is) o(s) caminho(s)? Qualquer possibilidade de deixar solto está totalmente eliminada, que meu compromisso de professor "seja eterno enquanto dure". Venho aproveitar para saudar a vinda de Daniel Giacon, grande amigo e colega de faculdade para acompanhar algumas aulas comigo na escola, bem vindo!!!

Abraços a todos e obrigado de coração pelos comentários, são incentivos à sequência destes textos.

sábado, 28 de março de 2009

Céu aberto

Boas.

Todo mundo gosta de ar livre, não são diferentes os alunos... Afinal, eles passam na média 4h por dia confinados dentro de uma sala de aula. Ser vivo nenhum consegue se manter enclausurado por tanto tempo, imóvel, estático, calado. Eu não consigo! Faça um exercício mental e pense se você conseguia se concentrar tanto em algo centrado externamente, como uma aula expositiva, daquelas bem tradicionais: giz, lousa, professor falando sem parar...

Até por isso, eu aparecer na porta é uma esperança de liberdade. Pelo menos, é o desejo deles. Reações adversas surgem se eu anuncio que ficaremos na sala, ocorre raramente, mas acontece... Isso quando quero basear algum conteúdo antes de repensá-lo em atividades práticas, ou ainda trabalhar algo que não exija o ambiente externo e esteja mais ligado ao plano das idéias, sem abandonar as intenções do movimento.

Mas venho repensando as aulas para usar menos o espaço externo, infelizmente, contra minha vontade. Quem anda mandando nas minhas aulas é o sol. Principalmente à tarde, quando tenho sempre as primeiras aulas (inevitável, uma vez que tenho aulas todos os dias. E eu dei azar mesmo) e o sol das 13h brilha intensamente no céu de Hortolândia. O calor é forte, o sol castiga e a radiação não é brinquedo, protejo os alunos e me protejo, afinal para eles são 30 minutos, para mim é a tarde inteira.

Quadra coberta?? Para ser mais sortudo, eu teria que ter uma quadra na escola primeiro... Usamos o Complexo Esportivo da Prefeitura, no quarteirão de baixo da escola. Duas quadras, um ginásio coberto e quadra de fora (que infelizmente não dispõe de tabelas de basquete). Nos é cedida a quadra externa, já que os horários à tarde são preenchidos pelas escolinhas de esportes no ginásio coberto, onde a sombra abunda, o piso é mais seguro e o espaço menos propenso outros focos de atenção (vizinhos passando pela calçada, paqueras adolescentes com os caras que vão lá pra usar a quadra...).

Então, evitando os riscos do sol, venho adaptando diversas aulas no espaço do pátio da escola (nem de longe, o mais adequado) e trabalhando em sala de aula em algumas ocasiões. Se eu gosto?? Não. Se eu prefiro?? De vez em quando. Mas não forçadamente, como vem sendo.

Talvez seja uma luta que eu deva encarar: há um terreno ao lado da escola que está à venda, onde funcionava um comércio de piscinas. Se alguém souber do caminho pelo qual eu poderia sugerir ao poder público adquirir este terreno e nos ceder um espaço maior, no qual uma cobertura seria facilmente resolvida, eu ficaria imensamente agradecido. Enquanto isso, vou bolando minhas alternativas, como sempre! Só não dá pra ficar parado... Abraços a todos!!

sábado, 14 de março de 2009

Os primeiros passos de algo que ainda não existe

É engraçado pensar que o título deste blog surgiu sem qualquer reflexão mais aprofundada. A intenção era ter um espaço onde eu pudesse integrar a vontade de escrever às reflexões do meu dia-a-dia como professor, tudo sob um ponto de vista crítico. Só que tinha algum tempo, eu não parava para pensar no porquê da Ludocência.

Obviamente, a junção de Ludo e Docência. Jogo e Magistério. Construir uma metodologia docente em Educação Física que privilegiasse o jogo, a brincadeira, a atividade desinteressada. Passou-se quase um ano e não posso dizer que já tenho este plano em prática e sou"ludocente".

Mas, ao que me parece, existem lampejos que andam me ajudando a traçar algumas rotas neste caminho de criar algo diferente... Ontem mesmo, tratando de Atletismo - Corridas, junto às minhas salas de 6ª série, elaboramos conjuntamente um texto sobre corridas de velocidade e resistência, após prática de entendimento.Propus que ele buscassem explicar o significado de algumas das palavras que não entenderam no texto (exemplos: ranking, centésimo, Atenas, maratona, nobre). No final, utilizei o quadro para propor o seguinte jogo:

- Relacione as palavras abaixo com as diferentes exigências de corrida:

CORRIDAS DE VELOCIDADE x CORRIDAS DE RESISTÊNCIA

Força muscular / Distâncias mais curtas / Distâncias mais longas
Maior tempo de duração / Menor tempo de duração
Róbson Caetano / Vanderlei Cordeiro de Lima

Obs: Róbson Caetano e Vanderlei Cordeiro foram os atletas que foram citados no texto para exemplificar o biotipo dos corredores, além de sinalizar dois expoentes do pedestrianismo nacional.

Foi incrível observar como eles se envolveram na tarefa de responder este pequeno jogo, que consistia simplesmente em ligar as palavras mais abaixo ao(s) termo(s) correspondente(s) localizado(s) acima. Discutiram com o colega do lado, releram o texto, me chamaram, questionaram, perguntaram, se divertiram, ficaram em dúvida... A sensação era muito boa. Essa sensação devia ser o que eu queria ao propor a Ludocência:
Dialogar com o conhecimento sem se preocupar com a sua importância, sem propósitos previamente identificados, apenas como parte da estrutura de um jogo prazeroso por si só.
Nota mental: adquirir o hábito de conduzir um jogo em todas as aulas de Educação Física. Dará trabalho planejar, mas tenho certeza que consigo criar na pluralidade da nossa área!
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